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Como se processa a desobsessão onde não há casa racionalista cristã? Jorge Alexandre Fares A Limpeza Psíquica deverá ser realizada todos os dias, às 7h e às 20h em ponto. Após a limpeza psíquica, cumprem-se rigorosamente as regras disciplinares exaradas na obra Prática do Racionalismo Cristão, impondo-se ao obsedado a observância disciplinar de horas certas, inalteráveis, de acordo com o seguinte regime: 1. Levantar e tomar banho às 6 horas. 2. Fazer, a seguir, a primeira alimentação, sem usar chá da Índia, café, chocolate ou qualquer bebida excitante. 3. Assistir à limpeza psíquica, às 7 horas. 4. Se estiver em condições, trabalhar manual ou mentalmente, das 8 às 9h30min. como meio de auxiliar na reeducação, já que a ociosidade concorre para agravar a obsessão. 5. Almoçar, das 11h às 12 horas. 6. Descansar, das 12h às 13 horas e, se dormir, não acordar. 7. Continuar o trabalho mental e manual até uma hora antes do jantar. 8. Jantar às 18 horas. 9. Assistir à limpeza psíquica, às 20 h. 10. Tomar qualquer alimento leve às 21h, deitando-se em seguida, para dormir. Antes de o obsedado adormecer, devem ser feitas as irradiações perto dele, ou nas proximidades do aposento, quando estiver muito agitado. É preciso, porém, que não se abuse das irradiações, evitando-se fazê-las a qualquer pretexto. Além do regime imposto ao obsedado, é necessário observar mais: 11. Educá-lo desde o primeiro dia com enérgica e intransigente repressão aos vícios que tiver, como fumar, ingerir bebidas alcoólicas, comer coisas de seu especial agrado, mas prejudiciais, falar dos outros ou cometer qualquer ação que esteja em desacordo com os Princípios constantes do Capítulo 19 do livro Racionalismo Cristão. 12. Ocupá-lo com qualquer trabalho manual ou mental, de maneira a prender a sua atenção às coisas úteis, durante as horas a isso destinadas, deixando-o dormir à vontade quando tiver sono, até ficar mais calmo. 13. Corrigi-lo e, se for necessário, contê-lo, até que se convença de que não se deve deixar atuar a ponto de ficar furioso e de não respeitar as demais pessoas. 14. Tais obsedados devem ser contrariados em tudo que não seja racional, para se irem educando e convencendo-se de que só podem ter vontade as criaturas normais. 15. O obsedado deverá afastar-se da sociedade, não podendo receber visitas enquanto não der provas de estar normalizado, sua alimentação deve ser sadia, beberá somente água fluídica e, em estado de lucidez, copiará trecho dos livros Cartas Doutrinárias e Racionalismo Cristão, para raciocinar sobre o que for escrevendo. Caso seja analfabeto, a pessoa que lhe estiver servindo de enfermeiro o irá esclarecendo sobre os princípios racionalistas cristãos. 16. A normalização dos obsedados poderá ser feita em qualquer parte, pela educação da vontade, remodelação dos maus hábitos e de todos os vícios, que são causa da atração dos espíritos obsessores. 17. Tais normalizações só se conseguem, no entanto, pelo método presente, quando empregados por pessoas de boa vontade e esclarecidas, que procuram seguir à risca os ensinamentos exarados nas demais obras editadas pelo Racionalismo Cristão. Fora disso, o tempo é perdido, é concorrer para aumentar o mal do obsedado, visto que o ser conforme pensar assim será, e quem não pensa ou pratica o bem não pode normalizar pessoa alguma. 18. Cumpre ainda observar que os pensamentos das pessoas que convivem com os obsedados não devem, de modo algum, ter ligação com o estado dele. Nada de pensar em doenças. 19. O isolamento do obsedado muito facilita a sua normalização, sendo mesmo indispensável para que ela se faça por completo. Quando já puder raciocinar, deverá ser doutrinado constantemente sobre as causas da obsessão e os meios que foram empregados para normalizá-lo, a fim de aprender a repelir outros obsessores, pela própria vontade e pensamentos. É através dessa educação metódica e perseverante que o espírito do obsedado vai corrigindo as suas fraquezas e vícios, e aquele que se rebela contra ela demonstra que deseja continuar a pensar o mal e a conviver com espíritos do astral inferior. 20. O educador deve fazer sentir ao educando que o seu espírito está viciado, e que, para evitar e corrigir vícios, impõe-se o trabalho, a disciplina, a ordem e a correção. 21. O obsedado dá sinais de convalescença quando começa a dormir por longos períodos, a ter saudade das pessoas, o que prova o despertar do espírito e a sua libertação dos obsessores. 22. Enquanto não dormir bem e não despertarem nele os sentimentos afetivos, demonstra estar ainda obsedado, sob o domínio dos espíritos do astral inferior. 23. Qualquer ato violento do obsedado deve ser reprimido, na mesma ocasião, para que contenha os seus ímpetos animalizados, que são a causa desse estado furioso. 24. O obsedado sabe tudo o que faz, não se esquece de coisa alguma que com ele se passa, mesmo durante o período agudo de obsessão, e sente prazer em conviver com os espíritos do astral inferior e fazer o que os obsessores lhe intuem. É por isso que se deve, desde o primeiro dia, fazê-lo sentir os erros e os vícios que o atiram nas garras de espíritos do astral inferior, nas quais se conserva porque se sente bem, em conseqüência do seu errado viver. 25. O que sirva de enfermeiro de tais anormais precisa ter uma vontade fortemente educada para o bem, deve ser enérgico mas não violento para com o obsedado, procedendo com muita calma e paciência, sem desejar milagres, porque estes não existem, e sabendo esperar o tempo necessário para que, pouco a pouco, o espírito do obsedado se vá convencendo da má educação que teve e precisa corrigir. 26. Durante a normalização, o enfermeiro deverá proporcionar ao obsedado a leitura de obras esclarecedoras editadas pelo Racionalismo Cristão, e manter com eles palestras úteis. 27. Por mais alta que seja a posição do obsedado, tem ele que se submeter integralmente sem condescendência, à disciplina racional e científica aqui exarada. 28. Assim é preciso, para ir adquirindo a convicção do que é a vida real, para a qual todos os seres vêm a este mundo, e que o luxo, a indolência, a pretensa superioridade, a aristocracia, a vaidade são causas da obsessão, que devem ser combatidas tenazmente, de maneira a cristianizar o espírito, e que cada um deve ficar apto para tudo fazer, sem pensar que o ser humano desce da sua dignidade quando executa serviços humildes. 29. Convencido o obsedado de que o ser humano, rico ou erudito, encarna e desencarna como toda gente, e como toda gente deve viver lutando, sem que o trabalho humilde se lhe apresente como desdouro e, ainda, compenetrado de que a superioridade do espírito só se revela através da sua grandeza moral e do amor ao trabalho, facilmente se normalizará e não tornará a ficar obsedado. Fonte: livro Prática do Racionalismo Cristão (O autor é militante da Filial São Paulo – SP) |
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