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O dia da criança
Maria Cottas Depois de surpresas desagradáveis e injustiças por que passamos, surge, alegre, o Dia da Criança para fazer-nos meditar no futuro que desejamos promissor para o nosso País. Voltemos os nossos olhos para a criança, símbolo de ternura permanente, uma esperança que nos acena com dias mais risonhos. Quando, num esforço sobre-humano, se procura dar equilíbrio ao País, quando o mundo mais parece feito de cimento armado, trabalhado pelas máquinas do materialismo, é a criança que, com o seu olhar puro e ingênuo, nos oferece um raio de sol que vivifica nossa alma e encoraja o espírito, impulsionando-o para marchar ao encontro do que parece impossível conquistar pelo trabalho, pela energia e perseverança. Ela, a criança, à nossa volta nos tranqüiliza e ajuda a suportar o peso da vida atual. Sensível, cheia de vibrações e até de personalidade, ela é a força e, muitas vezes, o exemplo que tantas vezes falta a nós, adultos, cheios de paixões e despeitos. É por isso que a nossa situação perante ela se transforma e de senhores, que deveríamos ser, passamos a escravos, pois aparentemente parece que dominamos a infância quando, na verdade, é ela que nos domina. Dela necessitamos. Do seu sorriso, da sua linguagem tatibitate, das suas travessuras e até do seu choro. É de tudo isso que tiramos as conclusões mais belas e profundas, porque nela vemos nascer as raízes da transitoriedade que nós próprios criamos com a idéia de garantir a imperiosa renovação da coletividade. E é por isso mesmo, pelo papel que está reservado à criança, que tudo quanto lhe dermos nunca será demais: carinho, desvelo, educação, exemplos sadios, como quem abre picadas na floresta virgem e espessa da vida para que ela atravesse sem perigo e sem que aniquilem na nossa criança a crença tão necessária à vitória na luta que terá que travar no futuro. Que todas as atenções sejam voltadas para ela no dia 12 e não apenas nele, que se convencionou ser o seu dia, mas em todos os dias do ano ajudemo-la a ser feliz e a vencer. Trabalhemos para que ela, crescendo nesse terreno movediço, agitado e convulsivo, não sinta afetada a sua sensibilidade espontânea e leal. A nós, mulheres, mães e avós, sobretudo, cabe a longa e difícil tarefa de prepará-la e guiá-la para a vida. (Do livro Páginas soltas) |
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