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Diarréia, mal com variadas causas
Robinson Botelho de Faria Entende-se por diarréia uma modificação do padrão fisiológico de evacuação, em que ocorrem fezes líquidas ou pastosas e aumento na freqüência com que são eliminadas.Podemos classificar a diarréia em: • aguda: de início abrupto, normalmente de caráter infeccioso e autolimitado (o próprio organismo combate a doença com suas defesas naturais e o agente agressor tem um tempo curto de vida, não necessitando uso de medicações). Ocorre em indivíduos saudáveis, e • crônica: que persiste por longos períodos, de forma permanente ou intermitente, e que pode ser sintoma de uma doença importante. A diarréia aguda pode causar desde leve desconforto até doença potencialmente fatal, com grave desidratação. Normalmente é provocada por infecção bacteriana, viral, ou por protozoário (animal unicelular como a ameba). A doença por bactéria é a típica intoxicação alimentar, em que, até 12 horas após a ingestão de alimentos contaminados, ocorrem a diarréia e também vômitos, como, no caso mais comum, a provocada pelo estafilococos. Encontramos o problema em pacientes que ingeriram o mesmo alimento contaminado pela toxina bacteriana (proveniente de um abscesso na mão da cozinheira, por exemplo). É a toxina liberada no alimento em condições inadequadas que causa o quadro, e não a bactéria no organismo; por isso, o uso de antibióticos não tem qualquer efeito. O tratamento é realizado com hidratação oral (água mesmo ou soro caseiro) e medicação contra vômitos. Em casos mais graves, ocorre internação para hidratação venosa. Não devemos tomar medicação para "prender" as fezes, pois elas estão eliminando as toxinas. É a defesa do organismo. Os vírus merecem especial atenção no caso de crianças (rotavírus), pois causam desidratação grave. O tratamento também é reposição das perdas hídricas. Protozoários como a ameba são tratados com medicação específica e têm que ser identificados pelo exame de fezes. Lembramos que algumas doenças inflamatórias do intestino, como a diverticulite e a colite ulcerativa, podem apresentar diarréias agudas, e, nesses casos, além dos sintomas inespecíficos, como vômitos, febre, falta de apetite e mal-estar, podemos observar cólicas de forte intensidade e até presença de sangue nas fezes. Algumas modificações podem causar diarréia, como o uso de antibióticos que alteram a flora intestinal normal. A diarréia crônica sempre deve ser bem investigada por meio de exames de fezes, pesquisa de sangue oculto, RX contrastado, retossigmoidoscopia e colonoscopia (semelhante à endoscopia digestiva alta, só que via anal). Pode estar associada à anemia, perda de peso, desnutrição. Várias doenças do intestino, ou fora dele, podem desencadear diarréia crônica e até ansiedade ligada a distúrbios emocionais. Para evitar o problema da diarréia é necessário lembrar dos hábitos básicos de higiene, pessoal e dos alimentos, consumirmos produtos de estabelecimentos confiáveis, e não de ambulantes, além de observarmos condições de armazenamento e validade. O melhor tratamento para diarréia é hidratação (água tratada, é claro, porque, se não, pode ser mais uma fonte de infecção). Situações arrastadas ou com piora acentuada devem ser investigadas pelo seu médico. (O autor é Cirurgião Torácico do Hospital Souza Aguiar.) |
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