Dificuldade no aprendizado

Tharsila Prates

Como é difícil aprender. Não sei se eu já soube disso um dia ou se estou concluindo agora. Há dias, o meu primo de dez anos estava fazendo o dever de casa,domingo à noite. Tarefa de matemática. Chorava diante das contas de somar e da tabuada de multiplicação. Para mim e para a mãe dele, não há dificuldade. Os cálculos são simples, mas é impossível não lembrar do tempo em que também choramos sem saber dar a resposta para as questões.

Eu me lembro perfeitamente de como era difícil decorar a tabuada e as regras da gramática. Lembro também da raiva, que, injustamente, atirava contra a minha mãe e contra os professores. Eles não tinham culpa, mas eu também não. É difícil aprender e pronto. Eu "bati cabeça" até para aprender a costurar ponto de cruz. Não acertava de jeito nenhum. A minha irmã, um ano mais nova do que eu, fazia perfeitamente. A gente pensa: "Como isso é possível?"

Parece até que as coisas têm tempo para ser aprendidas. Ontem, eu não sabia. Hoje, eu sei. Não adianta, por isso, querer bater no filho, tentando forçá-lo a aprendera lição. No começo, ele vai ter, sim, bastante dificuldade. Vai ser difícil também convencê-lo e deixar de assistir à TV, jogar videogame ou ouvir música para estudar. A gente não gostava também?

Assim como eu tinha dificuldades, quando criança, de saber a tabuada, hoje tenho dificuldades no trabalho. Como é difícil fazer uma matéria jornalística, cercar um assunto e falar com todas as pessoas necessárias. Muitas vezes, a gente esquece vários aspectos e é cobrada por isso. Muita gente está com expectativas sobre você que nem sempre conseguimos atender. Assim como foi na escola, está sendo hoje no trabalho, na vida adulta. Estou tendo que aprender todos os dias, sem parar.

Isso não é ruim. O que incomoda é pensar que não vamos vencer por causa das dificuldades. É errado isso, mas a gente pensa. E se não conseguirmos? O que vai ser? Conforta um pouco ouvir comentários como "Comigo também foi assim. No início, também tinha dúvidas, fazia errado as coisas. Hoje, não".

O jeito é respirar fundo, bem fundo, deixar a preguiça de lado (como ouvi dizer numa das sessões públicas do Racionalismo Cristão) e ir em frente, vivendo um dia após o outro. Chorando quando tiver que chorar, mas tentando acertar e fazer valer esse esforço. "Vou conseguir". O nosso raciocínio tem que funcionar. É só a gente querer. Ele não é autônomo e não funciona só quando quer. Estamos por trás, para dar as ordens.

Para isso, temos que estar conscientes do que vamos fazer e tomar as decisões que estejam acertadas com o objetivo final.

Aprendendo sempre.

(A autora é Jornalista)


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