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Dívidas espirituais
Luiz Reis Ormonde Ao escrever na edição de outubro de 2008 de A Razão o artigo que intitulamos "Acúmulo de dívidas", não nos alongamos em reflexões sobre dívidas espirituais por entender que cansaria o leitor com um texto muito longo. Voltamos ao tema. Será que algum leitor, menos tendente a concentrar todo o seu raciocínio em cada assunto de que tratamos, pensou que não precisa preocupar-se com o que já fez? – ‘Vou emitir boas ondas de pensamento e estará tudo resolvido.’ – Se pensou assim, enganou-se. Esperamos que aquele que julga ter dívidas espirituais já tenha se fortalecido o bastante para saber que seus erros não serão julgados por outros e que, ao emitir ondas de pensamento mais e mais elevadas, passo a passo, a cada reencarnação, vai tornar-se mais correto, mais forte, otimista, vigoroso, enfim, um vencedor. Fará isso a cada reencarnação, esquecido (apenas quando encarnado!) dos erros que cometeu em vidas passadas. E, então, será o próprio espírito que, ao evoluir, olhará para trás, lá do seu mundo espiritual, e decidirá colaborar para fazer a humanidade sofrer menos. Ele próprio reconhecerá que já colaborou muito para esse sofrimento. Julgará, por essa razão, que contraiu dívidas espirituais por causa dos erros que cometeu no passado. Ao reconhecer o sofrimento que causou aos outros, o espírito vai perguntar-se como ajudar os seres humanos a sofrer menos. Ensinando a humanidade a fortalecer-se, buscar a paz, orientando-a para não se deixar enganar por falsas promessas, ajudando-a a não ser vítima de indivíduos do tipo que ele mesmo foi no passado. Outro ponto sobre o qual é preciso refletir: Por que nas comunicações doutrinárias do Racionalismo Cristão fala-se tanto em não acumular dívidas espirituais? Qual a razão da utilização desse linguajar? Primeiro, porque sob o ponto de vista de um espírito já medianamente evoluído mas que ainda precisa reencarnar, dívidas espirituais realmente existem, ele as possui. Esse espírito é forte, sabe que vai autocompensar-se sentindo-se bem em ajudar os demais espíritos, não se deixando abater pelos erros do passado. Permite apenas que o reconhecimento desses erros o impulsione na procura por atitudes benéficas aos outros e, em conseqüência, a si mesmo. Segundo, porque o médium tem todo o seu próprio jeito de ser (assim como todos nós), sua personalidade, e é difícil para o Astral Superior empregar palavras pouco utilizadas ou formas de explicar as coisas um tanto ou quanto complicadas pois o médium pode não conseguir "acompanhar" o pensamento do Astral Superior e a comunicação pode não sair boa. Pior ainda, pode sair tão diferente do que deveria que chegue a causar confusão nas pessoas. O público poderia não entender. O objetivo do Racionalismo Cristão é ser simples para poder ser compreendido por todos, mesmo pelas pessoas sem muita escolaridade. Por isso fala-se em dívidas espirituais e em resgatá-las. Seria complicado ficar, a todo momento, falando de "modular as ondas de pensamento para entrar em sintonia com planos espirituais mais elevados e, dessa forma, evoluir". Já deu para perceber que muitos que procuram o Racionalismo Cristão não iriam entender, principalmente quando o individuo chega a uma casa racionalista pela primeira vez. Quando se raciocina em profundidade sobre um determinado assunto, o "alvo" somos nós mesmos, e os limites são determinados por nossa própria capacidade de raciocínio mas quando se tenta transmitir um conhecimento o "alvo" é o outro e é melhor começar a explicação de uma maneira simples. (O autor é Militante da Casa-Chefe, médico) |
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