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Doença de Chagas
Robinson Botelho de Faria Em alguns casos ocorre inflamação do músculo cardíaco A doença de Chagas foi descoberta em 1909 pelo brilhante médico brasileiro Carlos Chagas, em uma pequena cidade (Lassance) no Estado de Minas Gerais. É um dos poucos casos em que um único cientista descobre sozinho todo o ciclo de contaminação de uma doença: o parasita chamado posteriormente de Trypanosoma cruzi, o modo de transmissão por meio de um vetor (hospedeiro intermediário), que no caso é um inseto conhecido em nosso meio como barbeiro, e também os hospedeiros naturais que podem ser o homem, o cão, o gato e o rato, entre outros. O barbeiro, encontrado mais facilmente em áreas rurais de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, entre outros estados, habita frestas de paredes de casas de taipa (barro socado entre estacas de bambu). Tem hábitos noturnos e sua picada é feita nas áreas descobertas do corpo, principalmente o rosto, por isto o nome de barbeiro para o inseto. O barbeiro não contamina o homem pela picada, mas sim o contrário: fica contaminado ao picar alguém doente. No organismo do inseto, o Trypanosoma cruzi se desenvolve e é eliminado nas fezes. Ao picar um homem sadio, o inseto defeca na região da picada e o T. cruzi contido nas fezes ultrapassará mucosa ou pele lesada e instalará a doença. A doença de Chagas apresenta forma clínica aguda e crônica. Na forma aguda observamos uma reação inflamatória no local da contaminação, com inchaço, rubor, aspecto de abscesso (furúnculo), congestão ocular, febre, prostração, linfonodos aumentados (ínguas), queda de pressão, aumento do fígado. Em casos mais raros, inflamação da musculatura cardíaca, causando arritmias, ou da meninge, que é uma membrana protetora do cérebro (meningite). Passando a fase aguda, entraremos na fase crônica, em que existem pacientes assintomáticos que vivem bem, apesar de estarem contaminados, e pacientes com problemas sérios de saúde. Poderemos observar comprometimento cardíaco, com arritmias e casos graves de insuficiência cardíaca (o T. cruzi destrói as fibras musculares do coração, impedindo sua contração adequada). Lesões neurológicas podem acarretar paralisias, dilatação do esôfago e intestino grosso, que podem impedir o trânsito intestinal normal. O T. cruzi pode ser pesquisado diretamente no sangue ou através de exames imunológicos. Ainda não existe tratamento adequado para a doença. O combate ao inseto e às condições inadequadas de moradia são fatores essenciais para a redução do número de casos. Existe possibilidade de contaminação através de transfusão de sangue, porém atualmente é muito reduzida devido ao controle de qualidade que tem ocorrido nessa área. Existem alguns relatos da doença provocada por suco de polpa de açaí contaminado com o barbeiro triturado na hora dae sua fabricação. Consuma sempre produtos de origem conhecida certificação de acompanhamento pelas autoridades sanitárias. (O autor é cirurgião torácico do Hospital Souza Aguiar) |
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