Doenças da próstata (1)

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz, que pesa de 10 g a 15 g, situada sob a bexiga e que envolve a parte inicial da uretra, que é o canal por onde escoam a urina e o sêmen. Produz parte do líquido seminal que serve de meio de nutrição e de veículo para transportar os espermatozóides originados nos testículos. Três problemas principais podem acometer o órgão.

* o câncer mais comum do homem, que ocorre em um de cada seis indivíduos até 80 anos. O tumor irrita ou comprime a uretra e a bexiga, tornando desconfortável o ato e urinar ou até impedindo-o.

* após os 40 anos, ocorre um crescimento benigno da glândula, que é chamado de hiperplasia prostática e não tem relação com câncer, embora seus sintomas possam ser semelhantes. Ocorre o estrangulamento da uretra, causando graus variados de dificuldade para urinar.

* prostatites, que são inflamações que muitas vezes causam desconforto arrastado.

Falaremos agora da hiperplasia prostática, que ocorre em 80% a 90% dos homens após os 40 anos. Nos casos de grande aumento do órgão é necessária uma cirurgia para aliviar o desconforto urinário. A probabilidade de um homem na faixa dos 60 a 70 anos apresentar hiperplasia benigna é de 80% e a de necessidade de cirurgia, de 10%. Não se conhecem todos os mecanismos, mas a principal causa é a alteração do hormônio masculino testosterona.

Os sintomas são: aumento do número de micções, principalmente à noite; sensação de urgência para urinar; gotejamento de urina após cada micção, molhando a cueca; enfraquecimento progressivo do jato urinário; desconforto no baixo ventre, quando a bexiga está cheia.

Podem ocorrer melhoras espontâneas por algum período. Na maioria dos homens esses sintomas são toleráveis e em um terço deles prejudica a qualidade de vida. Pode ocorrer dilatação dos rins e prejuízo da filtração de sangue, favorecimento de infecções urinárias e cálculos, sangramentos e o caso extremo de retenção total de urina, necessitando de descompressão cirúrgica de urgência.

O diagnóstico é feito por meio do toque retal, que avalia a consistência e dimensões do órgão, dosagem do PSA no sangue (que é uma proteína produzida na próstata e que se eleva de forma significativa nos casos de câncer, mas também aumenta em pacientes com infecções ou crescimento benigno exagerados), uso de ultra-som transretal e abdominal. Biópsia é realizada quando se suspeita de câncer. Devemos lembrar que nenhum meio citado faz diagnóstico de forma isolada. É necessária a soma de indicativos para o laudo correto, e o toque retal, apesar do constrangimento, é extremamente importante.

O tratamento cirúrgico é indicado em quadro com comprometimento da qualidade de vida. Pode ser por via abdominal ou endoscópica (através da uretra, e nesse tipo de doença é preferível). Em casos moderados a maioria dos pacientes usa medicamentos apenas.

Nosso próximo artigo abordará o câncer de próstata. Procure seu médico, fique atento!

Robinson Botelho de Faria
O autor é Cirurgião torácico do Hospital Souza Aguiar


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