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Doenças da próstata - 2
Em nosso primeiro artigo sobre doenças da próstata (A Razão, setembro de 2005), o leitor verificou que se trata de uma glândula do tamanho de uma noz, que pesa de l0g a 15g, situada sob a bexiga e que envolve a parte inicial da uretra. Produz parte do líquido seminal que serve de meio de nutrição e de veículo para transportar os espermatozóides originados nos testículos. Inicialmente abordamos o aumento benigno do órgão, ou seja, a hiperplasia prostática, e agora abordaremos o aumento maligno, o câncer de próstata, que ocorre em um de cada seis indivíduos até 80 anos. O tumor irrita ou comprime a uretra e a bexiga, tornando desconfortável ou impossível o ato de micção. É o câncer mais comum do homem.
O câncer de próstata apresenta sintomatologia parecida com a hiperplasia quando a doença já está em evolução, ou seja, aumento do número de micções principalmente à noite, sensação de urgência para urinar, gotejamento de urina após cada micção, enfraquecimento progressivo do jato urinário. Nas fases iniciais até não apresenta sintomas e nas avançadas pode ocorrer dor óssea, anemia, ínguas e perda de peso. As causas precisas do câncer não são bem conhecidas, porém existem fatores de risco:
• Características raciais – 60% mais freqüente em negros;
• Mais comum em países escandinavos e norte da Europa e pode estar relacionado à alimentação com alto teor de gordura;
• Existência de casos na família: o risco aumenta duas vezes quando um parente de primeiro grau foi atingido pelo problema e cinco vezes quando três parentes de primeiro grau têm a doença. Homem com histórico familiar de câncer deve realizar exames preventivos anualmente a partir dos 40 anos e não dos 50 como se recomenda habitualmente.
O diagnóstico é feito através do toque retal, que avalia a consistência e dimensões do órgão, dosagem de PSA no sangue (que é urna proteína produzida na próstata e que se eleva de forma significativa nos casos de câncer, mas também aumenta em pacientes com infecções ou crescimento benigno exagerados), uso de ultra-som transretal e abdominal. Pacientes com alterações no toque, níveis elevados de PSA ou anormalidades no ultra-som transretal apresentam chances elevadas de câncer e por isso são submetidos à biopsia, que é retirada de pequena amostra da próstata através de uma agulha, para análise e comprovação do diagnóstico. Lembramos que nenhum meio citado faz diagnóstico de forma isolada. É necessária a soma de indicativos para o laudo correto, e o toque retal, apesar do constrangimento, é extremamente importante.
O tratamento é feito da seguinte forma: São administrados hormônios em pacientes com graves problemas de saúde e poucas possibilidades de prolongamento da vida. Quando a doença não está avançada e disseminada e o paciente está em bom estado geral e com boa expectativa de vida, realiza-se a cirurgia para retirada da próstata ou radioterapia. Quando se estende para outros órgãos, disseminando o câncer, é realizada a remoção dos testículos, ou administração de hormônios que anulam a testosterona produzida nos testículos. Procure seu médico. Tire suas dúvidas.
Robinson Botelho de Faria
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