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A dor física e a dor moral
Heloísa Ferreira da Costa
Muito se fala sobre a dor física, as doenças do corpo material, mas o que mais abala o espírito é a dor moral, tristeza, angústia e traições.
Quem julga o faz por si – esta é uma grande verdade. Muitas vezes, o ser se engana com o semelhante, porque o julga de caráter semelhante ao seu, e a realidade é bem outra. Quanto a criatura sofre por deixar-se iludir por palavras melodiosas, por decisões que, depois de tomadas, duram menos de 24 horas! A pessoa honesta, firme, que sempre sabe o que quer e para onde vai, fica atônita diante desses seres instáveis que, quando perdem algo que sabiam possuir, tudo fazem para obtê-lo de volta e pouco tempo depois mudam de idéia, desprezam e abandonam o objeto de sua propalada estima com a mesma rapidez com que muda uma peça de roupa.
A pessoa atingida aguarda, observa, luta contra seus sentimentos, porém algumas vezes sucumbe, perde seu controle emocional e explode. A dor moral produz certa mudança de vibrações no espírito, transformam-se as condições suscetíveis de reter ou de atrair os maus fluidos afins.
É preciso ter muito cuidado, neste mundo convivemos com todos os tipos de espíritos das mais diferentes camadas evolutivas, e é normal o engano. Quantos não estão tão bem disfarçados em físicos até agradáveis, mas escondem em seu interior as maiores vilanias? O espírito não tem tamanho, ele é uma centelha de luz, cuja intensidade de brilho não tem qualquer relação com seu temporário instrumento corpóreo, os atributos que possui não se aferem pelas dimensões do corpo físico, mas pela sua capacidade de realização.
O ser estudioso da vida fora da matéria não está livre de encontrar situações adversas e seres ruins, mas deve ficar sempre alerta para ajudar-se. Quando for vítima dessas condições, precisa encontrar forças para recolher-se, irradiar nos horário próprios para receber intuições superiores e, desde que tenha relativo conhecimento da vida, perceber as associações existentes entre corpo físico e espírito, ter uma concepção racional de como se processa a evolução espiritual. Não há dúvida de que disporá dos meios para poupar-se de grandes sofrimentos, não alimentando tolos ou levianos hábitos que redundem em seu prejuízo moral.
Na direção da vida, ao primeiro sinal de que algo não anda bem, o certo é parar, examinar tudo, reexaminar, perceber o que está errado, pôr o raciocínio em ação, removendo o erro para recomeçar tudo de novo. Assim, os fatos devem ser encarados realisticamente para se alcançar a felicidade sem fugir à realidade das coisas.
Quando se é atingido moralmente, o espírito fica sensível, alquebrado. Nesses momentos, a leitura e o cuidado interior são essenciais, alguns vão precisar de ajuda psicológica, mas, dentro do Racionalismo Cristão, tudo se encontra sem a necessidade de dividir a dor com seres encarnados. Os espíritos de luz, que tudo supervisionam, acompanham sem interferir diretamente, mas com intuições de alívio que vão dia a dia retemperando, cicatrizando, e é só assim que se pode encontrar a cura para essas feridas da alma, que depois, quando avaliadas em retrospectiva, muito úteis terão sido para a evolução pessoal.
As desilusões fazem parte da vida, para sair de uma determinada situação de tristeza e depressão não há força superior que, sozinha, resgate o indivíduo. Ele próprio precisa buscar ajudar-se, reconhecendo suas fraquezas e lembrando que tudo que pertence à matéria aqui ficará. Então, para que se amolar tanto porque prejulgou alguém com olhos inocentes?
Pior do que ser ingênuo é carregar em si o poder de ferir os outros, o mal praticado consciente ou inconscientemente voltará ao agente indutor com muito maior intensidade. Entre magoar e ser magoado, a segunda opção é mais fácil de reparar; difícil é livrar-se da dívida espiritual assumida quando se atinge alguém em sua moral. A leviandade nos sentimentos é muito prejudicial.
Dentro da espiritualidade está contida toda a sabedoria para atravessar as intempéries da vida sem perder a direção pré estabelecida em plano astral, Ficar lamuriando-se porque algo não saiu como se planejou não leva a lugar algum, quem vive preso ao passado nunca alcança o futuro!
(A autora é Militante da Filial Marília, SP)
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