Durabilidade do corpo humano - 3

Glaci Ribeiro da Silva

Na visão espiritualista da ciência racionalista cristã, o cérebro é instrumento do espírito

Na visão de Desmond Morris – o famoso zoólogo e etólogo (aquele que estuda os hábitos animais) inglês, o ser humano é um animal primata que um dia passou a caminhar de pé.

Na posição bípede, ele primeiro desceu das árvores e depois passou a caçar em grupos. Para sobreviver nesse ambiente altamente competitivo, ele teve que enfrentar uma batalha desigual com os carnívoros que dominavam o solo.

Esses nossos ancestrais tinham um equipamento impróprio para viver no chão: o nariz era frágil, os ouvidos não eram suficientemente apurados, o corpo era tremendamente inadequado para corridas e avanços velozes, e eram pouco habituados à planificação e a concentração, visto que tinham personalidade mais competitiva do que cooperativa.

Felizmente, porém, já dispunham de certa inteligência e tinham o cérebro bem mais desenvolvido do que os carnívoros seus rivais. Portanto, eles tentaram ganhar essa batalha usando a cabeça e não os músculos.

Comparando-se o desenvolvimento do cérebro de um macaco típico com o de um feto humano, podemos ter uma idéia de como a neotenia foi importante para ajudar o cérebro dos nossos ancestrais. Antes do nascimento, o cérebro dos macacos aumenta rapidamente de tamanho e complexidade. Quando o animal nasce, seu cérebro já atingiu 70% do tamanho do cérebro do adulto. Os restantes 30% crescem durante os seis primeiros meses de vida e completa-se antes de um ano de idade.

Na nossa espécie, porém, o cérebro tem à nascença apenas 23% do tamanho do cérebro do adulto, seu crescimento prolonga-se durante os seis anos que se seguem ao nascimento e somente se completa em torno dos 23 anos de idade; ou seja, cerca de dez anos depois de termos atingido a maturidade sexual.

Contrariamente do pensar materialista de muitos cientistas vinculados à ciência oficial, que ainda hoje defendem teimosamente ser o cérebro a fonte da inteligência, na visão espiritualista da ciência racionalista cristã ele nada mais é do que um instrumento do espírito, que o usa como se fosse um computador para governar nossa vida vegetativa e executar a vida que vive fora do corpo físico – a chamada vida fora da matéria, onde se encontra a parte nobre do nosso ser, como é o caso do pensamento, dos sentimentos e da vontade.

Isso poderia explicar, portanto, a aparente coincidência do cérebro só estar totalmente desenvolvido na mesma época do despertar pleno do espírito – ou seja, em torno dos 23 anos de idade. Mesmo porque é o próprio espírito que, usando a matéria existente no planeta Terra, constrói seu corpo físico.

Para a doutrina racionalista cristã, antes de encarnar os filhos escolhem os pais que terão durante sua vida no mundo Terra. Cabe a eles, portanto, uma grande responsabilidade com sua prole.

Quando, ao nascer, o espírito toma posse do seu corpo físico, ele ainda está muito confuso e perturbado, e essa perturbação persiste até que se complete a formação do seu corpo. Isso somente acontece na chamada idade da razão, ou seja, em torno dos 25 anos.

Por outro lado, a juventude é uma época muito arriscada para o espírito; pois são comuns nesse período, em que os jovens vivem intensamente a vida material, as falências espirituais. Logo, o ideal seria que os filhos pudessem contar com eles até que ficassem adultos para orientá-los a ter uma vida útil e saudável nesse período crítico e delicado.

Por conseguinte, é nossa obrigação fazer o possível não somente para prolongar a durabilidade do nosso corpo, mas também para fazê-lo chegar à madureza ainda forte e hígido de tal forma que possamos transmitir os atributos do nosso patrimônio espiritual à nossa prole. 

Ele não deve ser desgastado por excessos, maus tratos e intoxicações. Todas as vezes que se tenha de usá-lo nos limites da sua capacidade devemos ser muito prudentes, pois bem aproveitado ele dará ao espírito grandes oportunidades para cumprir seu roteiro no mundo Terra e evoluir.

Aqueles que desconhecem o espiritualismo somente entendem o grande valor do seu corpo físico quando não podem mais utilizá-lo, isto é, depois que desencarnam.

Por falta desse conhecimento, eles encurtam a sua vida terrena suicidando-se lentamente, usando como arma letal abusos que debilitam a saúde.

No plano astral, também vigora a lei da oferta e da procura, no que diz respeito à reencarnação. E, atualmente, devido à restrição da natalidade, a procura excede de muito a oferta e uma verdadeira fila de numerosos candidatos está à espera para reencarnar. Esses espíritos estão bem cientes de que somente através de um cobiçado corpo físico poderão livrar-se das lembranças torturantes do seu passado e limpar-se das mazelas morais que os acabrunham.

(A autora é médica, escritora)

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