Editorial

Recente pesquisa da Datafolha indicou que a administração da presidente Dilma Roussef mereceu 59% de aprovação ao término do seu primeiro ano de Governo. É de se perguntar: Que carisma é esse? O que leva o Governo Dilma a tão elevada aceitação, índice maior que o alcançado por todos os presidentes nesta  mesma fase? Será a decisão tardia e protelada, tanto quando possível, de, atendendo ao clamor público levado aos quatro cantos do mundo  pelos meios de comunicação, afastar ministros em cujas pastas teriam ocorrido irregularidades?

Em um ano Dilma demitiu sete, seis deles por causa de fortes indícios dessas       irregularidades. Brasileiros, um ministro a cada dois meses! Afastá-los dos ministérios pode encher os olhos dos cidadãos deste país, dando a ideia de austeridade da chefe da nação no trato da coisa pública, mas não apaga os fatos que motivaram as denúncias. Deveriam permanecer a suspeição e a desconfiança até a total apuração das denúncias. Mas que nada!

O povo ainda está inebriado pelo mando e comando da mãezona, a primeira mulher a  dirigir este país no período republicano. Pois que esteja atento e não se deixe manipular por palavras bonitas e gentilezas com chapéu alheio.

O brasileiro é assim mesmo: há quase 60 anos a oposição denunciou um mar de lama, e o  presidente – alvo da denúncia, que havia sido  ditador e voltou ao Governo pelo voto popular – optou pelo suicídio, gerando uma das maiores crises que este país já viveu. Pois passou à história como o melhor dirigente do Brasil, e tanto ele quanto seus dois governos são os mais estudados e alvo do maior número de trabalhos escritos por historiadores e sociólogos.

Dirigentes da mais recente ditadura, período sombrio da história do Brasil, quando pessoas eram torturadas, mortas ou desapareciam, chegaram a ser glorificados. Algum  engraçadinho, na falta de coisa melhor para   fazer, criou o slogan “Eu era feliz e não sabia”.

Agora é isso que se vê: gente no governo fazendo o que bem quer, envergonhando os brasileiros honestos no exterior; vítimas de enchentes aguardando a esmola do Governo federal para as obras de prevenção de novas catástrofes e restauração do que foi destruído; aposentados pelo INSS que tiveram o azar de não ganhar salário mínimo sendo arrasados. É insuspeito o resultado da pesquisa; suspeita é a visão de mundo dos entrevistados, entorpecidos com o paternalismo herdado da era Lula, que não veem a covardia de que é vítima a classe média brasileira.
 

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