Editorial

A presença do Exército

Aparentemente, a Polícia Militar está pacificada. A ameaça que rondou o país no início de fevereiro, quando vozes dos mais variados setores da vida nacional se faziam ouvir, manifestando o temor de que a crise que brotou no estado do Espírito Santo, a partir de Vitória, se alastrasse a outras cidades e estados, parece estar afastada. O que reclamavam os policiais militares capixabas e, a seguir, efetivos da corporação no Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais ...? O simples cumprimento das datas para pagamento de seus salários, de modo que pudessem cumprir seus compromissos e atender as despesas domésticas – educação dos filhos, contas de água, luz, telefone, internet, todas com data de vencimento e previsão de multas e juros se aquela fosse descumprida. Além de tudo isso, o básico: a alimentação. Reclamavam também o numerário a que têm direito por força de acordos e de leis e melhores condições de trabalho.

Os grevistas ou simpatizantes, que embora trabalhando lhes davam apoio e incentivo, estabeleceram uma estratégia simples, mas eficiente: postaram suas esposas diante dos portões dos batalhões para impedir a saída de veículos da corporação e soldados fardados. Elas acamparam e empunhavam faixas e cartazes que justificavam sua atitude: exigiam o pagamento de tudo quanto os maridos (e elas próprias) tinham direito.

Passavam dias, havia muita conversa em gabinetes e nos pátios dos quartéis em busca de entendimento e de levar de volta ao trabalho os policiais que são pagos pela população para lhe dar segurança. Resta dizer que ser servidor público, na segurança, na sala de aula, onde quer que seja, é opção do cidadão, ninguém foi pego a laço para essas funções.

Em meio às promessas de regularização da questão monetária, que move o mundo, a greve foi perdendo força e as mulheres, que haviam mostrado sua força em inestimável apoio os maridos, voltaram para casa. Observa-se que ao menos dois episódios fulminaram a greve e calaram os boatos de que a situação iria piorar: a aproximação de polpuda ajuda federal aos cofres dos estados em crise, à frente o Rio de Janeiro, e a presença das Forças Armadas nas ruas com função policial. Com o Exército presente, a idéia de que aos PMs deve ser dado tudo que pedem, sob pena de falta de garantias à população, se esvai.

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