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Editorial Faxina previsível
Lá se foi o ministro Wagner Rossi, da Agricultura. Mais um. O que dizer de
um governo que, em menos de oito meses, substituiu três de seus ministros e,
em decorrência, o segundo e terceiro escalões dos ministérios afetados, se
não que se trata de uma administração de alta rotatividade? Administração
instável, portanto, que não consegue executar os projetos sem meias-travas
ou mudanças de rumo. Cada titular imprime sua marca, seu método de trabalho,
revê o que estava sendo feito, cronogramas, prioridades.
A presidente Dilma Rousseff deveria ocupar seu tempo com a execução de
programas afinados com as promessas eleitorais (implicitamente aceitas pela
maioria dos eleitores), mas acaba dedicando-se a apagar incêndios, expressão
introduzida do vocabulário político para definir crises institucionais,
bate-bocas entre autoridades e outras situações e circunstâncias condenáveis
das quais os envolvidos, em geral, saem ilesos pela tangente. Com os
“incêndios” surgiram os “bombeiros”, antes conhecidos como turma do
deixa-disso.
Nem sempre, porém, os “bombeiros”, sequer a presidente, conseguem abafar as
trapalhadas em que se envolvem ministros cujo critério de nomeação é
unicamente o de atendimento à base aliada. Essas trapalhadas geralmente
implicam denúncias de corrupção, má gestão do dinheiro público ou excessiva
aproximação com empresários ou grupos empresariais cuja atividade econômica
se desenvolve na área de atuação desses ministros.
Depois da queda de Antonio Palocci da chefia da Casa Civil, desgastado com a
preocupação da oposição com o acelerado e polpudo aumento de seu patrimônio,
e de Alfredo Nascimento, que deixou o Ministério dos Transportes em meio a
denúncias de integrar um esquema de corrupção que envolvia também
assessores, cai Wagner Rossi, assíduo frequentador de um jatinho da Ourofino
Agronegócios, empresa de Ribeirão Preto (SP) que tem recebido autorizações
do governo no ramo de patentes e registrou crescimento de 81% devido à sua
inserção na campanha de vacinação da pasta contra a febre aftosa, iniciada
em novembro passado. Em outubro, Rossi liberou a Ourofino para comercializar
vacina antiaftosa, tornando a companhia pioneira no setor, um mercado que
movimenta R$ 1 bilhão ao ano.
Partiu do Palácio do Planalto mais um slogan, palavra de ordem ou o que
seja: “A presidente está fazendo uma faxina no Governo”. Pergunta,
desnorteado, o povo: “Quem botou no Governo o lixo que agora está dando
tanto trabalho à presidente?”
A promotoria não tem mais perguntas.
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