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Editorial Perenidade com harmonia O Racionalismo Cristão distingue-se por seus ensinamentos salutares que, postos em prática, levantam corpos e almas, fortalecendo os seres humanos para o cumprimento de seus deveres como partículas do Todo e por sua estrutura constitucional. Aos fundadores do Racionalismo Cristão, Luiz de Mattos e Luiz Thomaz, devemos a concepção de um formato organizacional inteligente que imuniza a instituição de disputas políticas e suas nefastas e destruidoras consequências. A Antonio Cottas – que mais longamente experimentou o formato concebido pelos mestres e pela experiência acumulada no período da sua fértil presidência – devemos a consolidação desta estruturação, sem falarmos da consolidação das práticas doutrinárias e do próprio patrimônio da Doutrina, que o também mestre Antonio Cottas nos legou. Como é essa estrutura e o que ela proporciona de tão benéfico à nossa instituição e, por consequência, à humanidade? Primeiramente, falando da Casa-Chefe, temos a Presidência, a Vice-Presidência, o Conselho Superior, a Diretoria de Ação Doutrinária, o Conselho Fiscal e o Diretório Central, cada qual com suas atribuições perfeitamente definidas e interdependentes, não havendo conflitos ou superposição de atribuições. Da Casa-Chefe emanam as decisões tomadas no âmbito doutrinário e no administrativo a serem cumpridas pelas demais casas racionalistas cristãs em todo o mundo. Nas casas filiadas, a Presidência, o Conselho Local e o Diretório Local também se integram harmoniosamente para a realização de atividades no mesmo campo de ação. Nelas, a exemplo da Casa-Chefe, não há cargos nem posições de destaque, mas encargos e deveres que, cumpridos com rigor, disciplina e dedicação, proporcionam as condições básicas para atração das Forças Superiores e, consequentemente, ajudar a humanidade a se espiritualizar. No início, referimo-nos ao inteligente formato organizacional criado pelos fundadores porque, em nossa instituição, não há votações em pessoas e sim em idéias, em projetos. Essa é a grande diferença e a razão de não existirem disputas de poder, tão comuns nas organizações de cunho material. Diferentemente do que alguns poucos tentaram introduzir na história da Doutrina, dizendo que a perpetuidade da direção do Racionalismo Cristão fora criada pelo inesquecível advogado Dr. Emir Nunes de Oliveira para fortalecer a posição de Antonio Cottas, quando, na década de 40 do século passado, teve a árdua missão de enfrentar um grupo de "aves de rapina" que tentou alijá-lo do comando da Doutrina para surrupiar o patrimônio desta. Na verdade, essa condição sucessória, ou seja, a perpetuidade da presidência do Racionalismo Cristão, existe desde a criação da Doutrina, como podemos constatar nos estatutos da instituição em diversas épocas, cujos dispositivos foram sendo adequados aos tempos nesses últimos 100 anos, sem perder a essência da inventividade dos seus criadores. Originalmente, o primeiro parágrafo do artigo oitavo determinava que o presidente perpétuo da instituição era Luiz José de Mattos e, após seu falecimento, a pessoa cujo nome deixasse indicado. Antonio Cottas, com sua visão de futuro, ao revisar o estatuto vigente em 1958, acrescentou um parágrafo cuja redação determinava, caso o presidente perpétuo não deixasse indicado o substituto, que a nomeação do sucessor seria da livre escolha do Conselho Superior. Dessa forma, Antonio Cottas criou uma segunda modalidade de nomeação do presidente perpétuo do Racionalismo Cristão, e não como queriam alguns: que, a partir daí, fosse estabelecida uma votação trienal por ocasião das Assembléias Gerais Ordinárias. Portanto, com sua sapiência e confiante nos membros do Conselho Superior, Antonio Cottas optou por utilizar a hipótese criada por ele, ou seja, que a nomeação legal do seu sucessor na presidência perpétua do Racionalismo Cristão fosse feita pelo Conselho Superior. Antonio Cottas demonstrou em várias ocasiões que Humberto Machado Rodrigues deveria ser o continuador da magnífica obra, não só pelo fato de o conhecer desde o nascimento e acompanhar sua criação e educação, da qual foi um dos grandes responsáveis, mas por ter-lhe confiado a atribuição de dirigir o Racionalismo Cristão há bastante tempo. Aliás, como o mestre Luiz de Mattos fizera com ele. Dessa forma, Antonio Cottas consolidava mais um dispositivo para a perenidade da instituição, ou seja, a escolha do presidente perpétuo da Doutrina através do Conselho Superior, sem votações, mas por consenso. Na histórica reunião realizada na manhã de 14 de junho de 1983, dois dias após o falecimento de Antonio Cottas, o Conselho Superior aprovou por consenso o nome de Humberto Machado Rodrigues para assumir a presidência perpétua do Racionalismo Cristão. No dia anterior, em manifestação doutrinária, Antonio Cottas já mencionara Humberto como seu sucessor. O que Antonio Cottas não deve ter previsto foi que, a partir daquele momento, passaria a suceder Luiz de Mattos na direção astral do Racionalismo Cristão no planeta. Da ata da mencionada reunião extraímos o seguinte trecho: "Num ambiente de franca cordialidade, ficou decidido por unanimidade o seguinte: 1) Considerando que na reunião do Conselho Superior, realizada em 25-3-1983, conforme ata lavrada às fls. 128/130 deste livro, o nosso saudoso presidente perpétuo Antonio do Nascimento Cottas – com a concordância unânime dos membros do Conselho Superior – escolheu o companheiro Humberto Machado Rodrigues para o cargo de vice-presidente e para o posicionamento de presidente interino; considerando que o companheiro Humberto Machado Rodrigues já vinha exercendo interinamente a presidência face ao estado de saúde do presidente perpétuo; considerando que essa era a vontade do querido presidente perpétuo confirmada, inclusive, por manifestação espiritual em sessão pública de 13-6-1983, fica Humberto Machado Rodrigues efetivado e empossado no cargo de presidente do Centro Redentor, na condição de sucessor do saudoso presidente perpétuo Antonio do Nascimento Cottas". Temos, então, que reconhecer o esforço empreendido pelo atual presidente perpétuo do Racionalismo Cristão, Dr. Humberto Machado Rodrigues, que, no início deste século XXI, defendeu com todas as forças e manteve intacto o dispositivo que diz respeito à sucessão, bem como introduziu aperfeiçoamentos, respeitando os postulados inspirados pelos fundadores da Doutrina. Utilizando sua privilegiada inteligência – e por que não dizer – associada às intuições recebidas das Forças Superiores, nosso querido mestre Dr. Humberto conservou a Doutrina incólume dos interesses mesquinhos e eleitoreiros daqueles que queriam transformá-la numa instituição à semelhança das confederações futebolísticas, em que o dirigente se mantêm no comando por décadas através de concessões esdrúxulas, materialistas e até imorais. Acreditamos que alguns defensores dessa idéia até estivessem bem intencionados, mas desconheciam a importância do dispositivo criado pelos fundadores da Doutrina, por não terem analisado com profundidade a questão e lhes faltar a experiência na atividade, que proporcionou ao Dr. Humberto condições de conhecer profundamente o "gênero humano", como ele sempre diz. Dr. Humberto soube manter-se acima de todas as investidas e, com altivez, defendeu a perenidade da instituição que divulga o Racionalismo Cristão, exatamente como foi criada por Luiz de Mattos e Luiz Thomaz e consolidada por Antonio Cottas. Assim sendo, o Racionalismo Cristão, como sólida instituição, está a meses de alcançar o primeiro centenário, graças ao esforço e à dedicação e inteligência daqueles que protagonizaram este primeiro século de sua história, e que continuará por outros séculos com o elevado trabalho de esclarecimento espiritual dos seres humanos, temos absoluta certeza. |
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