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Efeito estufa aquece o planeta
Mário da Silva Pires
Cientistas afirmam que a humanidade está realizando o maior experimento geofísico de sua história
Estimados leitores, neste texto trataremos de um assunto com o qual muitos já tiveram contato através dos meios de comunicação: o efeito estufa. Tema de estudos e ponderações de indivíduos comprometidos com o bem-estar da humanidade desde meados do século XX, o efeito estufa, um dos pilares que possibilitaram o surgimento da vida física no planeta Terra e que garantem sua manutenção, apesar dos alertas, já sofre sérios danos, cujas conseqüências são nitidamente sentidas em vários lugares do mundo, muitas vezes, de forma catastrófica.
Então, vamos tentar entender tudo isso. A denominação efeito estufa surgiu a partir do exemplo de uma estufa de plantas, em vidro, na qual a passagem de luz solar livre mas a saída do calor formado é impedida, da mesma forma que um carro estacionado sob o sol retém o calor da luz solar que penetrou pelos vidros.
A atmosfera do planeta Terra – que pode ser considerada uma grande estufa – contém pequenas quantidades de certos gases que desempenham o mesmo papel do vidro nas estufas de plantas ou nos carros sob o sol. São os chamados gases-estufa. Eles permitem que a luz do Sol passe quase livremente, mas impedem parcialmente a saída do calor formado na superfície do planeta, promovendo o aquecimento da superfície e da camada inferior da atmosfera. E é justamente por manter essas temperaturas que se estabelece o equilíbrio no planeta, e assim, sabendo-se que tudo está interligado e em constante interação, a luz solar, o ar, a água, os minerais e todos os seres vivos compõem e usufruem de melhores condições para a evolução da Força, único componente vivificador de tudo o que há no universo.
O efeito estufa sempre existiu e sua presença, como já mencionamos, é de extrema importância para a manutenção da vida no planeta, mas o que preocupa é o aumento de sua intensidade, em conseqüência da excessiva concentração dos gases-estufa na atmosfera, provocada basicamente pelas atividades humanas. Cientistas afirmam que a humanidade está realizando o maior experimento geofísico de sua história e este não está acontecendo nos laboratórios ou computadores, mas no próprio planeta.
Apesar das previsões de cientistas, desde a metade do século XIX, quanto ao surgimento de problemas devido ao aumento da emissão de gases-estufa, tal experimento começou com a revolução industrial e se intensificou após a II Guerra Mundial. Desde então, as atividades humanas têm aumentado a quantidade de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera em cerca de 25%, o que poderá provocar grandes alterações do clima em vastas áreas do planeta.
Os principais gases-estufa hoje presentes na atmosfera são dióxido de carbono(CO2), metano (CH4), óxido nitroso(N2O), clorofluorcarbono (CFC) e vapor d'água.
O dióxido de carbono (CO2) é o principal deles, contribuindo para o aquecimento global com cerca de 50%. As principais fontes antropogênicas (conseqüentes de atividade humana) do CO2 são a queima de combustíveis fósseis (gás natural, petróleo e seus derivados) e o desmatamento, sendo que 75% da queima de combustíveis fósseis ocorre nos países desenvolvidos; sua concentração hoje é de aproximadamente 353 ppm (partes por milhão) – antes da revolução industrial, era de 280 ppm. Isso representou um acréscimo de 25%.
O metano (CH4) é o segundo gás-estufa mais importante,contribuindo com cerca de 18% do aquecimento global; sua concentração está em torno de 1,72 ppmv (partes por milhão por volume), aumentando à taxa de 0,9% ao ano. O metano é produzido durante o processo de decomposição bacteriana anaeróbica (na ausência de oxigênio); suas principais fontes antropogênicas são as plantações de arroz, os animais domésticos, rebanhos de ruminantes (como os bovinos), os vazamentos de gás natural na indústria petrolífera e os aterros sanitários. A criação de pastagens é hoje o maior responsável pelo desmatamento no Brasil, de forma que influencia, negativamente, duas vezes no problema do aquecimento global: primeiro no preparo da pastagem, desmatando e, conseqüentemente, diminuindo o seqüestro de dióxido de carbono pela fotossíntese, e, depois, liberando metano na atmosfera através dos grandes rebanhos de animais ruminantes.
O óxido nitroso (N20) contribui com cerca de 6% para o aquecimento global. Esse óxido é produzido no solo, estimando-se provirem daí 90% das emissões globais. Observou-se que seu potencial de absorção térmica é 150 vezes maior do que o do CO2. Suas principais fontes antropogênicas são o uso exagerado de fertilizantes nitrogenados e a queima de biomassa (queimadas).
Os clorofluorcarbonos (CFC-11 e CFC-12), contribuem com cerca de 14% para o aquecimento global; as principais fontes de CFCs são os vazamentos durante seu emprego na refrigeração e produção de espumas e aerossóis. Uma molécula de CFC tem o mesmo efeito estufa de 10 mil moléculas de CO2. Outros compostos, como o ozônio troposférico, o vapor d'água e certos halogênios, contribuem com 13% para o aquecimento global.
A presença do CO2 na atmosfera garante temperaturas amenas em extensa parte da superfície do planeta, mas o excesso de CO2 e outros gases-estufa na atmosfera deverá ser prejudicial à vida na Terra.
Ainda não se sabe com certeza como se dará o aquecimento do planeta, ou seja, qual será o padrão de elevação da temperatura. O fator agravante desse fenômeno é que o aquecimento não sedará na mesma intensidade nas diferentes latitudes. Espera-se aquecimento menor nos trópicos (+2ºC) e maior à medida que se avança em direção aos pólos (+7ºC no Círculo Polar Ártico). O aumento da temperatura terá como conseqüência mudanças no padrão e circulação atmosférica e, com isso, alterações no regime de chuvas. Especula-se que as áreas atualmente úmidas poderão vir a se tornar mais úmidas e regiões hoje áridas poderão tornar-se ainda mais áridas. Haverá, portanto, mudanças consideráveis na biota do planeta.
Em nosso panorama atual já é possível constatar: a elevação da temperatura média o planeta Terra em 4ºC em relação à do século passado; as geleiras e as calotas polares estão se derretendo, e o nível do mar já subiu aproximadamente um metro; as zonas climáticas estão mudando, milhares de hectares de florestas estão se transformando em savanas e campinas, e a lista de espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção triplicou; importantes áreas agrícolas do mundo estão se tornando improdutivas, e os estoques mundiais de grãos atingiram seus níveis mais baixos; em muitas regiões litorâneas as pessoas tiveram que deixar suas casas por causa das inundações provocadas pela elevação do nível do mar; em várias cidades, as enchentes vitimaram centenas de pessoas, e milhares delas estão desabrigadas; os furacões estão mais intensos e freqüentes. A situação é alarmante em todos os continentes.
O ciclo das águas, as condições atmosféricas, a ciclagem de nutrientes, e todos os outros seres vivos estão sujeitos a padrões de temperatura estabelecidos a centenas de anos, e esses últimos, quando têm seus limites de tolerância sobrepujados, diminuem sua capacidade de sobrevivência a cada sobreposição.
Existem esforços políticos bastante oportunos no estabelecimento de medidas e metas para controlar-se a emissão de gases e o efeito estufa, como por exemplo a redução global da utilização de combustíveis fósseis, a redução drástica do desmatamento e o reflorestamento.
Existe, porém, grande déficit na efetividade de tais propostas, pois não é possível responsabilizar, e conseqüentemente não se pode obrigar o cumprimento das medidas e metas estabelecidas nas conferências internacionais, protocolos e estudos, de modo que tudo anda a passos de formiga.
Felizmente, enquanto esperamos que os líderes políticos que elegemos assumam e cumpram seus deveres perante a vida de todo o planeta, podemos trabalhar e ser muito úteis ao Todo.
Informações e conhecimentos de qualidade podem e devem ser procurados por todos nas bibliotecas, nos jornais e revistas e na Internet; podemos poupar a natureza se fizermos a coleta seletiva, se usarmos a água de forma racional, se não fizermos queimadas e fogueiras, se não jogarmos lixo nas ruas, enfim, se sempre procurarmos agir da melhor forma possível em benefício de todos. Nosso principal objetivo ao veicular informações sobre meio ambiente, nunca excluindo dele o homem, pois nada no planeta evolui de forma independente, é proporcionar ao leitor a absorção de conhecimentos que tornam o indivíduo cada vez mais capaz de interagir com sua realidade, tornando-se cada vez mais responsável e esclarecido, pois, sem dúvida, o ser esclarecido, se já não é espiritualizado, é o mais próximo que pode estar da espiritualização. Já é possível constatar elevação da temperatura média do planeta Terra em 4ºC em relação ao século passado. As calotas polares estão se derretendo e o nível do mar já subiu aproximadamente um metro.
(O autor é Militante da Filial São Paulo, SP)
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