Ensino público X ensino particular

Hilton Ferreira Magalhães

A comparação pura e simples das escolas públicas com as particulares, como as diversas mídias volta e meia fazem, não é correta, pois, quase sempre, resulta de uma ótica preconceituosa e carente de uma análise mais profunda do tema que tem servido de inspiração para dissertações e teses de mestrado e doutorado.

Sem querer ser pretensioso, elencamos alguns pontos, cujo leque é enorme, que, ao nosso ver, subsidiam essa afirmação. Reconhecemos a importância de uma boa infraestrutura para todas as escolas, que não podem prescindir de salas de aula equipadas com adequados recursos instrucionais (multimeios); bons laboratórios; bibliotecas; equipamentos para as atividades extracurriculares etc., normalmente ausentes nas unidades públicas.

Observam-se raras exceções, que apenas comprovam a regra, em prejuízo da obtenção de êxito na complexa relação ensino-aprendizagem.

Observa-se, também, que os alunos que ingressam na rede pública são, na sua grande maioria, carentes de uma boa base que deixou de ser adquerida nas fases do ensino fundamental, as quais representam os períodos mais importantes para continuação, com provável sucesso, dos seus estudos.

Há inúmeros trabalhos de pesquisas científicas que comprovam de forma, digamos, peremptória, essa inexorável importância. Uma boa qualidade do ensino e educação representa valioso instrumento para diminuir a absurda estratificação que, há séculos, reproduz no Brasil uma concentração de renda rara no mundo.

Viabilidade Portanto, o trabalho pedagógico dos professores é árduo para suprir essas carências; mas o sucesso desse trabalho é factível, visto que os recursos humanos das escolas públicas são de boa qualidade, pois a grande maioria do pofessores é submetida a concurso público, além de considerável parte desse contingente lecionar em escolas particulares.

É uma aberração que nos obriga a ser redundantes, mas a miopia das autoridades do setor e a falta de planejamento consistente de uma política pública, que predominam, ainda, no Brasil afetam, de forma negativa e contundente, as áreas de ensino e educação, que estão nos escaninhos das não-prioridades, desprezadas como primordiais instrumentos para o desenvolvimento. Este diagnóstico é ainda agravado em virtude de as escolas públicas sofrerem a influência política do clientelismo e fisiologismo.

No século passado o melhor investimento não foi ouro, dólar, ações... e sim o ensino e a educação, entes classificados com intangíveis. Tomemos com exemplo os chamados Tigres Asiáticos, cujos respectivos PIBs cresceram extraordinariamente em função da priorização do ensino e da educação. Portanto, é inexorável que tenhamos no Brasil esses setores como as únicas alternativas de médio e longo prazo, de modo que previsões catastróficas, como a do futurólogo americano Herman Kahan, que afirmou, há tempos, acreditar em países "sem futuro", não se sirva para o nosso.

(O autor é Engenheiro e professor)

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