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Escrevendo um livro num piscar de olhos
Victor F. P. Medina
Recentemente assisti a um filme chamado O escafandro e a borboleta, que
aborda uma parte da vida de Jean Dominique Bauby, importante editor da
revista francesa de moda Elle.
Aos 43 anos de idade, Bauby sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) que o
paralisou totalmente, desencadeando a síndrome do encarceramento.
O AVC foi tão severo, que o editor só podia piscar o olho esquerdo. O
direito teve de ser obliterado (pálpebra costurada) para evitar infecção.
Apesar desta condição, Bauby conseguiu reunir forças e, através de uma
técnica desenvolvida por sua fonoaudióloga, escreveu um livro que dá nome ao
filme.
O método era simples: a fonoaudióloga
pronunciava as letras do alfabeto na ordem em que mais eram usadas no idioma
e, quando a letra que ele estava precisando para formar a palavra era
pronunciada, ele respondia com um piscar do olho esquerdo e assim o livro
foi escrito.
O caso de Bauby nos serve de exemplo da capacidade do ser humano em superar
limites e em adaptar-se a situações mais adversas. Ora, se uma pessoa foi
capaz de escrever um livro só no piscar de olhos, por que deveríamos
procurar desculpas esfarrapadas para explicar a nossa inércia frente ao que
nos cabe fazer?
(O autor é frequentador da Filial Recife, PE)
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