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| Esopo e
suas fábulas Esopo e suas fábulas Esopo existiu, é certo, mas quase tudo com relação a ele é incerto. Sequer há indícios seguros de que tenha escrito qualquer coisa, ainda que se lhe atribua a autoria de inúmeras fábulas, reunidas pela primeira vez por Demétrio de Falero, em 325 a.C.. Esopo, personagem mais lendário que histórico, teria nascido no século VI a.C. na Trácia, Frígia, Etiópia, Samos, Atenas ou Sardes – todas clamam a honra – e morrido em Delfos. Conta-se, mas não se prova, que teria sido escravo, libertado por seu dono, que ficou encantado com suas fábulas. Teria viajado pelo mundo antigo e conhecido o Egito, a Babilônia e o Oriente. As pequenas histórias, de caráter moral e alegórico, cujos papéis principais eram desenvolvidos por animais – eram muito apreciadas na Atenas do século V a.C. e faziam parte da tradição oral dos gregos. A intenção de Esopo, em suas fábulas, era mostrar como os seres humanos podiam agir, para bem ou para mal. Damos aqui três exemplos de lições morais de Esopo.
A mulher e sua galinha Uma mulher possuía uma galinha, que todos os dias, sem falta, botava um ovo. Ela então pensava consigo mesma como poderia fazer para obter, ao invés de um, dois ovos por dia. Assim, disposta a atingir seu objetivo, decidiu alimentar a galinha com uma porção de ração em dobro. A partir daquele dia, a galinha tornou-se gorda e preguiçosa e nunca mais botou ovo. Moral da história: O ganancioso, cedo ou tarde, acaba por se tornar vítima de sua própria ambição.
O cego e o filhote de lobo Um cego de nascença possuía a habilidade de distinguir diferentes animais, apenas tocando-os com suas mãos. Trouxeram-lhe então um filhote de Lobo, e colocando-o em seu colo, pediram que o apalpasse e depois descrevesse que animal seria aquele. Ele correu as mãos sobre o animal, e estando em dúvida, afirmou: – Eu com certeza não sei se isto é o filhote de uma raposa ou o filhote de um Lobo, mas de uma coisa eu tenho certeza: ele jamais seria bem vindo dentro de um curral de ovelhas. Moral da história: As más tendências são mostradas já na primeira infância.
O leão apaixonado Um leão pediu a filha de um lenhador em casamento. O pai, contrariado por não poder negar, já que o temia, viu também na ocasião um excelente modo de livrar-se de vez daquele incômodo. Ele disse que concordaria em tê-lo como genro, mas com uma condição: este deveria deixar-lhe arrancar suas unhas e dentes, pois sua filha tinha muito medo dessas coisas. Feliz da vida, o leão concordou. Feito isso, ele tornou a fazer seu pedido, mas o lenhador, que não mais o temia, pegou um cajado e expulsou-o de sua casa. Assim, vencido, ele retornou à floresta. Moral da história: O amor é capaz de amansar a mais selvagem criatura. |
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