EUA, a mãe do mundo

Armando Rocha

Fiz-me cidadão americano com muito gosto, respeito, prazer, honra e dignidade, em 1974. Tive depois nova satisfação ao me ser permitido o direito à dupla cidadania.

Portugal me deu o berço e nele me embalou até 1971. Os Estados Unidos me acolheram, a mim, a minha esposa e meus três filhos. Um de meus filhos nasceu nos EUA, e as duas filhas em Lisboa. Tenho sete netos, duas meninas e cinco rapazes. Sinto-me orgulhoso, é mais do que gratificante e confortável estar neste grande país e ter direito a duas Bandeiras, um coração para dois.

Se podemos considerar-nos filhos da pátria- mãe, o país onde nascemos, a América seria o pai. Mas como poderia ser isso? Neste caso a mãe tem mais de 900 anos, e o pai, pouco mais de 200. Não faz sentido. Tenho duas mães, Portugal e Estados Unidos, este eterno e grande país, considerado, se não o mais, um dos mais reputados, em termos de riqueza material e de sua estrutura política, econômica e social.

Embora longe da perfeição, os EUA são um dos melhores países para se viver, não obstante as barreiras que existem com as dificuldades impostas em várias áreas.

Os EUA confrontam-se com a chamada crise, que na minha opinião é uma crise humanitária. Isto, sim, levou à crise atual, que se diz ter começado aqui neste nosso país. Dessa acusação, pelo menos, não nos podemos livrar.

Há os conflitos internacionais, as guerras (poderiam ter sido evitadas?), há os desastres naturais. Os EUA estão sempre ou quase sempre a prestar apoio. “Eles, os lá de fora”, esperam sempre a nossa ajuda nossa, e vamos prestá-la, claro que sim, quer por estratégia, quer por bons sentimentos. E assim, deste nosso grande país, se deslocam avultadas somas de valores monetários.

Às vezes aqui ocorrem queixas, e com razão, de fazerem falta para os nossos, havendo quem diga que esses recursos poderiam ser canalizados para criar cá empregos, para quem precise, o que é justiça social.

É certo que se há que manter a política externa, pois dessa forma os EUA podem ser considerados como a mãe do mundo, mas que me perdoem: assim a mãe tira da boca dos filhos para dar aos outros (os de fora), e daí o desânimo, as contestações pelo fato de a prática levar ao empobrecimento cada vez mais acentuado, principalmente, dos mais desfavorecidos, os de menor rendimento econômico, que são os mais atingidos.

Sinto isto, com alguma tristeza até, pois eu próprio fui afetado, mas algo me fortalece. Julgo ter aprendido a saber como amar o nosso próximo, e o nosso próximo é também tanto o rico quanto o pobre. E nós podemos muito bem compreender que os ricos fazem falta, pois é a riqueza que dá trabalho. Vamos lá compreender isso!

Não é menos verdade que a riqueza está muito mal dividida e os valores, muito mal distribuídos, sabe-se que muitos dos que podem nada fazem para o crescimento econômico, por questão de conveniências políticas e mais nada, e isso nos deixa tristes.

É a esses que me estou referindo. Os que nada ou quase nada fazem para ajudar a criar pelo menos algum emprego.

Podemos até dizer: que bom seria se não fosse esquecida a expressão que tão bem se conhece: o pão nosso de cada dia. Não vamos culpar o país, porque o país somos nós, mas sim a má gestão, os corruptos, esses carentes de moral, caráter, humanismo e espiritualidade.

Nem tudo, porém, vai assim tão mal, porque felizmente há também gente boa neste nosso país. Esses que, quando um dia partirem, levarão consigo as suas boas ações.

Lembrem-se desta frase: Não perguntes ao teu país o que pode fazer por ti, mas sim o que podes fazer por ele.

(O autor é presidente da Filial New Bedford, EUA)
 

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