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Efeitos psicológicos dos exercícios físicos
Juarez Moura Talvez a alternativa mais segura seja fazer uma caminhadaTem-se acreditado, há muitas gerações, que a atividade física ajuda a evitar ou a corrigir os incômodos emocionais.Mens sana in corpore sano (alma sã em corpo são) é um salutar e antigo provérbio. Estamos começando a entender alguns dos processos orgânicos envolvidos, mas a experiência mostra que, através de exercícios físicos regulares, é possível atenuar alguns estados emocionais (depressão, ansiedade, raiva, tristeza etc). A atividade emocional despeja grandes quantidades de energia e elementos químicos na corrente sangüínea. Os exercícios físicos regulares alteram essa situação, pois, quando o corpo está em movimento, há conversão de energia – dos músculos da perna, tronco, braços e pescoço – em movimento, e essa energia é extraída da corrente sangüínea. Essa conversão é um processo químico. Os músculos têm determinada capacidade de utilizar essa energia. O indivíduo pode, através dos exercícios físicos, fazer com que sua corrente sangüínea se liberte rapidamente dessa energia e dos elementos químicos criados através da emoção, e, com isso, cada experiência emocional será de breve duração. No entanto, na falta desses exercícios, o indivíduo, em vez de ajudar a si mesmo, impede o próprio restabelecimento: involuntariamente, reduz a capacidade de seus músculos para usar toda a energia e os elementos químicos criados pela emoção. E tais elementos, permanecendo mais tempo na corrente sangüínea, sem serem gastos, a experiência emocional se prolonga desnecessariamente. O indivíduo sofre durante mais tempo. Isto é uma explicação apenas superficial e um pouco analógica da influência do exercício na recuperação emocional do ser humano. Felizmente, o conhecimento da verdadeira natureza das alterações químicas que resultam do exercício físico não é indispensável para a nossa perfeita melhoria emocional, mas os exercícios físicos regulares são indispensáveis e nos proporcionam importantes satisfações psicológicas, além de diversos outros benefícios para a nossa saúde, de forma geral. Daniel Goleman, psicólogo americano e PhD (Doutor em Filosofia) pela Universidade de Harvard, em sua excelente obra Inteligência emocional, menciona: 1. "Talvez a alternativa mais segura seja sair para uma longa caminhada; o exercício ativo também ajuda em casos de raiva. O exercício ativo pode esfriar a raiva por algo do mesmo motivo: após altos níveis de ativação fisiológica, durante o exercício, o corpo recai para um baixo nível assim que pára. 2. "Diane Tice (psicóloga da Case Western Reserve University, que perguntou a mais de 400 homens e mulheres sobre as estratégias que usavam para fugir dos estados de espírito negativos, e o grau de êxito obtido") constatou que o exercício aeróbico é uma das táticas mais eficazes para suspender a depressão leve, assim como outros estados de espírito ruins. Mas a advertência aqui é que as vantagens do exercício para levantar o ânimo funcionam mais para os preguiçosos, os que, em geral, não fazem muito esforço físico. Para os que praticam exercício rotineiramente, as vantagens já teriam sido maiores quando se iniciaram no hábito. Na verdade, para os que fazem habitualmente exercícios, há um efeito contrário sobre o estado de espírito: passam a sentir-se mal nos dias em que saltam a prática. O exercício parece funcionar bem porque muda a fisiologia que o estado de espírito traz: a depressão é um estado de baixo estímulo, e a ginástica põe o corpo em alta estimulação. Pelo mesmo motivo, técnicas de relaxamento, que põem o corpo num estado de baixa estimulação, funcionam bem para a ansiedade, um estado de alta estimulação, mas não tão bem para a depressão. Cada um desses métodos parece atuar para romper o ciclo de depressão ou ansiedade porque põe o cérebro num nível de atividade incompatível com o estado emocional que o dominava. 3. "... alguns estudos constataram que os pessimistas fumam e bebem mais, e fazem menos exercícios que os otimistas, e são, em geral, mais descuidados com a saúde." 4. "... o retorno à calma pode ser alcançado através de uma técnica de relaxamento ou exercício aeróbico, que ajuda os cônjuges a se recuperarem do seqüestro emocional." (O autor é Psicólogo.) |
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