Existe solução? Sim

Mario da Silva Pires

Aquecimento global, desmatamento, efeito estufa, mudanças climáticas, Amazônia, Protocolo de Kyoto... são expressões que, cada vez mais, se entrelaçam ao nosso cotidiano, devido ao aumento da evidência, no mínimo necessária, do assunto mudanças climáticas, que, apesar de sua grande importância, quase sempre é tratado com superficialidade e distorção pela maioria dos veículos de comunicação do mundo. Então, observando os fatos em evidência, nos quais se incluem projeções catastróficas, perguntaríamos: há esperança para os problemas relacionados às mudanças climáticas?

De acordo com o relatório apresentado recentemente pela rede WWF (Fundo Mundial para a Natureza), a resposta é sim. Baseando-se em dados existentes e em projeções para a demanda energética global até 2050, foram desenvolvidos estudos e criados modelos cujos resultados mostram que, através de ações conjuntas e efetivas de todas as nações, pode-se suprir as necessidades energéticas através do desenvolvimento e utilização de fontes e tecnologias de energia limpa e sustentável.

O estudo, denominado Soluções Climáticas: a Visão do WWF para 2050, começou em 2006. Com foco na que pode ser considerada a maior causa do problema promotor das alterações climáticas, a crescente demanda energética, desenvolveram e apresentaram soluções eficazes, porém não desdobraram sobre a adequação paralela que deve haver nas áreas sociais, ambientais e econômicas (de responsabilidade política), conseqüentes da rapidez e rigor com que as soluções precisam ser executadas. O estudo indica, com um grau de probabilidade de mais de 90%, que as conhecidas fontes de energia sustentável e as tecnologias provadas podem ser utilizadas entre agora e 2050 para satisfazer uma projetada duplicação da demanda global por serviços de energia. Então, podemos dizer: há esperança!

Este relatório define seis soluções e três imperativos como fundamentais para atingir o propósito de satisfazer a demanda energética global sem danificar o clima do planeta. Os imperativos são: a urgência; o esforço global, e a liderança. De um modo geral, as soluções constituem:

1. quebrar a conexão entre serviços de energia e produção primária de energia;

2. paralisar a perda florestal;

3. crescimento coordenado de tecnologias de baixas emissões;

4. desenvolver combustíveis flexíveis, armazenamento energético e nova infra-estrutura;

5. substituição do carvão de alto nível de carbono pelo gás de baixo nível de carbono; e

6. Captura e Armazenamento de Carbono (CCS).

É indiscutível o valor dessa iniciativa promovida pelo WWF, assim como a qualificada Millennium Ecosystem Assessment (Avaliação do Milênio de Ecossistemas), desenvolvida em conjunto por centenas de cientistas de diversos países, e os apelos das comunidades científicas direcionados principalmente aos países desenvolvidos, os maiores destruidores. Apesar de distintas, são ações que se complementam. Estes e muitos outros documentos, projetos, estudos e seus respectivos resultados, podem ser consultados através da internet (exemplo: www.maweb.org/; www.wwf.org.br/), para maior detalhamento e aprofundamento.

E quanto a nós: há solução para a sensação de fragilidade e insignificância, ou até de irresponsabilidade, diante desse grande desafio que é manter as condições necessárias para a manutenção da vida no Planeta? Há como contribuirmos para a melhoria do quadro de mudanças climáticas? É bastante provável que sim, basta querermos. Como? Buscando informações idôneas e fazendo-as circular, melhorando hábitos, vibrando pelo êxito dessas iniciativas e por um representativo aumento da vontade política, adotando práticas elevadas, cuidando de nossa casa, bairro, cidade e com isso contribuindo para a preservação do meio ambiente, enfim, dando volume a esse movimento em que a conscientização e atuação da população será um grande promotor da melhoria das condições de vida no planeta.

(O autor é biólogo, militante da Filial São Paulo)

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