![]() |
![]() |
|
|
|
|
Expectativas reais
Heloísa Ferreira da Costa Manejar bem os desapontamentos resulta em um viver melhor A busca da felicidade é uma constante para o ser humano. Se perguntarmos a definição da palavra, ela varia para cada um, mas em resumo para o indivíduo ser feliz precisa ter seus anseios preenchidos. Todo ser humano fica muito aborrecido e insatisfeito quando não consegue o que deseja; ele é uma fonte inesgotável de vontades e de grandes angústias, ou seja, a qualidade de vida emocional depende da satisfação com que se vive, depende então da coincidência vontade-destino, faz-se necessário "aprender a procurar a felicidade, limitando-se os desejos, ao invés de satisfazê-los" (John Stuart Mill). Atinge-se as posições mais elevadas ou desce-se às situações mais baixas, conforme os desejos e aspirações que predominam em cada um. Quando não se consegue preencher os desejos, vem a frustração, uma ocorrência universal e comum a todas as pessoas, algo que ocorre sempre que o organismo encontra um obstáculo, ou uma obstrução mais ou menos insuperável, no caminho que conduziria à satisfação de uma necessidade vital qualquer. Quantas vezes, ao se olhar para fatos passados sem a visão passional que a vida determina, percebe-se que o que foi momentaneamente tão sofrido e indesejado veio trazer novos acontecimentos produtivos e satisfatórios, que sem aquele gatilho não aconteceriam. Os desejos não coincidem com o que está determinado para a experiência da vida. Esperar que a vida se modifique e que de repente se possa alcançar tudo o que se quer é ingenuidade, essa vida é apenas um momento no caminho da evolução espiritual. Assim, lutar pelo que se deseja, inclui uma tomada de consciência do próprio caminhar na vida, a Inteligência Universal não reserva a cada ser tudo o que deseja, mas tudo o que é necessário para o crescimento e aperfeiçoamento espiritual. As pessoas terão mais saúde, serão mais felizes e viverão mais eficientemente quando aprenderem a manejar, com habilidade, seus desapontamentos, pensar em cada desapontamento como uma mensagem superior – talvez esteja sendo mostrado que aquilo não seria bom para o indivíduo –, mas muitos se perturbam quando se contrariam por algo que está fora do seu alcance. As casas racionalistas cristãs são locais de meditação, casas onde os esclarecidos, ou seja, que têm o conhecimento do mundo espiritual com a segurança máxima, sabem dar valor ao pensamento, conduzindo-o às alturas. Se a felicidade dependesse das Forças Superiores, todos seriam felizes, mas ela depende do uso adequado do livre-arbítrio. O Racionalismo Cristão não pode iludir com falsas promessas de soluções instantâneas e milagrosas, mas apoiados no manual de auto-aperfeiçoamento que há nessa filosofia cada um pode alcançar, sim, a felicidade relativa enquanto habitante neste planeta. Esse código de princípios dá a compreensão filosófica de que certas circunstâncias e fatos inevitáveis existem na experiência humana e que é preciso aprender a conviver com o inevitável. A limpeza psíquica, esse banho astral que não se pode observar com os olhos materiais, mas que funciona, metaforicamente, como aqueles vapores de água, quase invisíveis, instalados em áreas externas de restaurantes localizados em cidades muito quentes para refrescar. Esses jatos astrais possibilitam a harmonia mental por serem fluídos de espíritos superiores que visam ao equilíbrio universal, orientando o pensamento para ser o guia constante e confiável da existência. Ouve-se exaustivamente que a vida precisa ser bem aproveitada por ser única. Este é o grande engano, vive-se inúmeras vezes para alcançar o aprimoramento do espírito e em muitas vidas perdem-se oportunidades pela ilusão com que, ao longo da caminhada, a humanidade foi ludibriada por fantasias religiosas, falsos perdões e subjugação, assim o trabalho realizado por essa universidade de pós-graduação espiritual é o de ensinar os seres a terem uma visão mais ampla sobre a sua própria caminhada neste mundo, para estarem conscientes de seus atos e das conseqüências deles, influenciados ou não por forças ocultas inferiores, mas atraídas sempre por um pensamento fraco e doentio. A grande arte da vida é ter maturidade para acordar depois de um sonho, coragem de levantar depois de um tombo e sorrir mesmo diante de uma grande decepção, por compreender que tudo tem uma razão de ser e um objetivo mais amplo. "Viver as experiências que a vida nos oferece é obrigatório; sofrer com elas ou desfrutá-las é opcional. (Ricard Mattieu)". ( A autora é militante da Filial Marília - SP) |
|
|
|
|