Febre amarela - silvestre e urbana

Robinson Botelho de Faria

Vetor da doença nas cidades  é o transmissor da dengue

A febre amarela é uma doença aguda, provocada por um vírus específico, que é transmitido ao homem através da picada de dois tipos de mosquitos, que em medicina são chamados de vetores. São eles os mosquitos do gênero Haemagogus e Aedes aegypti. Lembrou de alguma coisa? É isso mesmo, um dos mosquitos que transmitem a febre amarela é o mesmo que transmite a dengue!

De acordo com o tipo de mosquito que infecta o ser humano, podemos classificar a doença em:

a. febre amarela silvestre, provocada pelo Haemagogus que vive em árvores das matas e florestas,

e

b. febre amarela urbana, que é provocada pelo Aedes, um inseto que vive próximo ao homem, nos domicílios, e que se reproduz em recipientes com água limpa. O mosquito fêmea, quando pica um paciente com febre amarela, torna-se infectado, e nas picadas seguintes em pessoas sadias irá transmitir a doença. Essa fêmea contaminada  transmitirá o vírus por várias de suas gerações. Não há contaminação direta de paciente para outro paciente.

No Brasil, a febre amarela silvestre é endêmica (está presente de forma permanente) nas regiões Norte e Centro-Oeste, e não existem casos de febre amarela urbana desde 1942.

O Aedes estava eliminado no País desde 1955, porém em 1976 foi reintroduzido em nosso meio. A proliferação atual do mosquito da dengue, que, mais uma vez lembramos, é o mesmo que transmite a febre amarela, expõem ao risco de uma epidemia (disseminação rápida da doença) nos grandes centros, se pessoas que adquiriram a doença nas áreas endêmicas migrarem para cidades onde ela não exista. Já tivemos grandes epidemias de febre amarela no começo do século passado, as quais foram combatidas pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz.

A febre amarela, seja silvestre, seja urbana, pode variar desde apresentação com poucos sintomas, até casos graves e fulminantes. Normalmente a doença se manifesta com quadro febril leve a moderado, após três a seis dias da picada do inseto. Pode apresentar duas fases:

1. fase de infecção, que dura cerca de cinco dias, quando os vírus se multiplicam no organismo. Temos febre, dor de cabeça, dor muscular, pulso fraco, e na maioria dos casos desaparece após essa fase. Em outros casos ocorre uma melhora, e depois temos a

2. fase da intoxicação, com febre alta, náuseas, vômitos, prostração, desidratação, dor abdominal, sangramentos, instalação de icterícia (a pessoa fica amerela, daí o nome da doença, provocada por insuficiência hepática), pode haver falência renal e circulatória. Na forma grave ocorrem até 50% de óbitos.

Não há tratamento específico para a febre amarela. São tratadas suas complicações. A pesquisa do vírus é feita através de exames de sangue, seu isolamento, detecção de anticorpos. Até o diagnóstico final, pode ser confundida com hepatite, dengue, malaria, leptospirose. Existe vacina contra a febre amerela, e deve-se tomá-la quando se vai visitar áreas endêmicas. É eficaz, dose única e vale por dez anos.

O mosquito silvestre não pode ser combatido, porque se encontra nas florestas, porém o urbano está dentro de nossas casas e deve ser atacado com as mesmas medidas de erradicação da dengue.

O autor é cirurgião torácico do Hospital Souza Aguiar

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