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A felicidade existe?
Gilnei Castro Müller A felicidade, assim como a tranqüilidade e a paz espiritual, são estados íntimos de espírito que cada criatura humana pode e tem condições de conquistar através do seu esforço, dedicação, força de vontade e persistência. A felicidade existe, sim, mas é relativa e cada pessoa, como um ser pensante, dotado de inteligência, conquista sua própria felicidade a partir do momento em que se conhece como força espiritual e vibra o seu pensamento para o bem, encontrando uma razão para viver e ser feliz junto aos seus semelhantes mais próximos na família e demais pessoas do seu convívio. Há cerca de 2.400 anos, Sócrates afirmava em Atenas, Grécia, que a busca da felicidade é uma tarefa individual do ser humano, e nenhuma pessoa é ou se torna feliz por acaso durante a sua passagem pela vida terrena. Essa afirmativa de Sócrates é válida até hoje, embora alguns grupos de psicólogos pelo mundo tentem demonstrar o contrário, através de determinadas "pesquisas' conduzidas e apreciadas somente pelo ângulo estreito dos prazeres carnais, apenas de ordem materialista, desprezando completamente a parte espiritual das criaturas com todos seus atributos positivos da alma. No século XVIII, a partir do surgimento do Iluminismo, na França, a felicidade passou a ser vista como algo a que todos nós temos direito como seres humanos. Um dos conceitos básicos da Revolução Francesa, marco da moderna sociedade ocidental, é que o objetivo da sociedade deveria ser a felicidade geral. A felicidade geral de toda a população de um país é utopia que alguns políticos "candidatos" prometem para seus eleitores; jamais irão pôr em prática tal promessa, porque cada criatura humana é diferente, recebe e tem o que merece, e a sua felicidade terá que ser conquistada como resultado do seu esforço e da sua dedicação na carreira profissional e em tudo que faz durante cada momento de sua vida. A felicidade, por ser relativa, é compreendida e percebida de maneira diferente por cada pessoa. Assim, uma criatura bem humilde e simples, que vive com dificuldades econômicas e financeiras, desde que aceite a sua situação, entendendo os porquês de tal situação, poderá ser muito mais feliz do que outra que possua grandes riquezas materiais e tenha conseguido alcançar todos os seus objetivos terrenos, mas, com ganância, somente pensando em ter mais, não sabe viver com equilíbrio a sua vida espiritual ao lado da parte material. Certamente, se pode afirmar que a conquista da felicidade é individual, é uma verdadeira dádiva natural que está ao alcance de todos, mas nem todos os seres humanos, integrantes da atual humanidade estão preparados para conquistá-la. Para que cada um possa alcançar a sua felicidade íntima, é preciso em primeiro lugar desarmar o espírito, abandonar o "eu guerreiro" que o domina, impondo uma conduta racional e cristã nas ações da vida diária, e assim uma felicidade íntima e verdadeira se fará presente em situação permanente na alma e nas ações daquelas criaturas que sabem pensar, querer e trabalhar pela conquista e direito de ser feliz. (O autor é presidente da Filial Santa Maria, RS) |
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