Filhas adolescentes x mães

Tharsila Prates

O vínculo que as filhas têm com a mãe é muito íntimo. Vem desde o nascimento – e ocorre com meninos e meninas – e aumenta com o passar dos anos. Ainda crianças, querem usar as roupas, sapatos, jóias e maquiagem da mãe. Nas brincadeiras de boneca, as filhas querem ser tão generosas, companheiras e carinhosas quanto a mãe o são com elas.

Tanta proximidade pode criar, muitas vezes, uma rivalidade completamente desnecessária e que não colabora para o crescimento das meninas.

Falamos isso porque muitas adolescentes passam, com a idade, a ver na mãe não mais alguém em quem se espelhar como quando eram crianças. Enxergam na mãe uma autoridade (daquelas bem chatas) e passam a não contar com ela para muita coisa. Está certo que as adolescentes preferem as amigas para desabafar, esclarecer as mais diversas dúvidas, até porque elas vivenciam problemas semelhantes. Certamente nãomal nisso.

O problema começa quando a mãe é vista como uma rival. Dependendo da situação, a mãe passa até a ser o alvo dos amigos das filhas, e elas, muitas vezes, são preteridas pela própria mãe. Muito se falou e escreveu sobre o relacionamento entre mães e filhas, não na questão moral como também no jeito de se vestir, em que muitas mães são elogiadas e celebradas como "irmãs" das filhas, o que pode gerar ciúmes, inveja e uma relação desgastada com o tempo. Aquele carinho de antes é substituído por uma competição boba.

Nesse ponto, os pais devem orientar as meninas e é bom lembrar que na obra Caminhos Certos, editada pelo Racionalismo Cristão, Olga B.C. de Almeida alerta que a intimidade excessiva entre pais e filhos exclui dos dois a possibilidade de uma vida pessoalsímbolo de maturidade. Está um argumento que pode muito bem ser usado pelos adolescentes. "Respeitando-lhes os segredos, consegue-se conhecê-los com maior facilidade", escreveu Olga, num conselho amigo aos pais de boa índole.

Os jovens não devem esquecer-se, no entanto, de manter os laços de amizade e afetividade com seus pais. Numa ponte firme, consegue-se ir e vir, sem sustos, mas os laços, uma vez partidos, podem não se reatar.

No livro Páginas Soltas, Maria Cottas citou o psicólogo francês André Bergé quando escreveu que o laço afetivo entre pais e filhos é essencial para o seu desenvolvimento, porque sem ele a criança não poderá ter vida de relação, que é indispensável aos indivíduos da espécie humana. Sejam amigas de quem pôs vocês no mundo. Pensem nisso!

(A autora é Jornalista)

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