A fragilidade da matéria

Heloisa Ferreira da Costa

O Racionalismo Cristão é uma filosofia que ensina o ser humano a se conhecer como Força e Matéria e a importância dos cuidados com a parte espiritual da vida, porque a matéria, o corpo humano, é muito frágil. Estamos ligados à vida material por uma linha tênue que a qualquer momento pode romper-se, e a negação dessa realidade faz com que tenhamos a atmosfera da Terra repleta de seres desconhecedores da sua situação de espíritos desencarnados, prejudicando, ainda que muitas vezes não intencionalmente, os encarnados.

Sempre é repetido nos ensinamentos da Doutrina que a vida material e a espiritual devem caminhar paralelamente, pois a saúde de uma depende diretamente da outra; são vidas que não se juntam, por serem paralelas, mas que pelo mesmo motivo não se separam, e o que vemos, infelizmente, é a colocação em mãos alheias (deus, santos, protetores, anjos) a integridade das duas.

Talvez a maior dificuldade na divulgação do Racionalismo Cristão resida neste ponto, pôr nas mãos de todo ser humano, que é composto de espírito e corpo, a total responsabilidade por tudo que lhe acontece de bom ou de ruim, mostrando que os atos de um passado recente ou remoto definem ou definirão a felicidade atual ou futura; que este planeta e todos que aqui vivem são sujeitos à ação das leis físicas, químicas e biológicas, estando cada ser encarnado suscetível a desastres naturais, acidentes e à bioquímica do corpo humano, que pode, de um momento para outro, desenvolver patologias curáveis ou não; e, principalmente, que milagres não existem.

Falar em reencarnação, para muitos, parece total absurdo, embora já existam provas científicas e teológicas mais que suficientes de que o espírito é imortal e processa sua evolução em direção à fusão com a Inteligência Universal por meio de múltiplos nascimentos e mortes, vivenciando todas as experiências humanas, as quais trazem sofrimentos, alegrias, vitórias e derrotas, para que o pior dos defeitos do espírito, a vaidade, seja destruído. Só quando se descortina este suposto mistério da vida além da vida se descobre que tudo que podemos ver e tocar é passageiro, e nem a maior das riquezas pode livrar o ser encarnado do sofrimento imposto pela matéria.

Esta semana encontrei um conhecido que, ao me desejar feliz Ano Novo, disse que o importante é ter dinheiro, todo o resto se compra, até a saúde, pois os casos graves podem ser tratados nos Estados Unidos. A amiga que me acompanhava apenas argumentou: “Se fosse assim, Steve Jobs estaria vivo”. Por este pequeno diálogo, tão banal, se pode ter a dimensão de como pensa a maioria das pessoas.

Em outra situação esta semana, durante meu trabalho, sofri um pequeno acidente no olho, nada grave e que já está em estágio de cura, mas que foi o suficiente para questionar este assunto de que estou tratando: nossa fragilidade. Meu trabalho, toda a minha vida, depende das minhas mãos, da minha visão, da minha mente e da minha habilidade. É assim, de experiência em experiência, vivendo diariamente as duas vidas que percebo tudo que precisa ainda de muito trabalho para o aprimoramento do meu espírito, e o famoso “e se” vem à mente, para que se possa entender que a vida material pode ser completamente virada de ponta-cabeça de um momento para outro. Sem o apoio do lado espiritual, vêm o desespero, a depressão e as perdas precoces de vidas preciosas. É por tudo isso que trabalho pelo esclarecimento dos seres humanos sobre a vida fora da matéria.

(A autora é militante da Filial Marília-SP)
 

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