| Hipertensão
arterial O prezado leitor já deve ter ouvido
falar, assistido a alguma transmissão de rádio ou TV, ou ligo alguma matéria
sobre pressão alta, mas considero importante discorrer sobre o tema, devido
a sua gravidade e a tratar-se também de mudança de hábitos, o que não se faz
de uma hora para outra. A grande maioria dos casos de hipertensão (mais de
90%) não tem cura, porém tem tratamento efetivo, e muitos pacientes não
sentem sintomas quando sua pressão está alta. Aí é que está o problema:
convencer alguém que não sente nada a tomar remédio para o resto da vida!
Até há pouco tempo aceitava-se como normal a pressão arterial 14 x 9 e hoje
se busca uma pressão em torno de 12 x 8 ou pelo menos 13 x 8,5. Acima desses
valores indica-se tratamento ou medidas gerais, como redução de peso,
diminuição do sal etc.
A hipertensão, quando não tratada, implica redução da expectativa de vida,
principalmente quando é diagnosticada em paciente jovem. Vários fatores
estão associados à hipertensão, como idade, sexo, hereditariedade,
profissão, ingestão de sal, intolerância à glicose, obesidade, colesterol
alto, aterosclerose, fumo, uso de anticoncepcionais, sedentarismo.
Existem dois tipos de hipertensão:
1 - Essencial ou primária (mais de 90%), cuja causa exata não conhecemos e
que não tem cura, mas tem tratamento adequado.
2 - Hipertensão secundária, que apresenta causa específica, que às vezes
pode ser curada e que praticamente está relacionada a uma alteração na
secreção de hormônios e/ou na função renal.
A - Hipertensão renal: provocada por anomalias na retenção de sal e água, e
alteração na secreção renal de substâncias que contraem a musculatura das
artérias, fazendo com que fiquem mais finas e resistentes.
B - Hipertensão endócrina: a glândula supra-renal secreta substâncias que
retêm sal de forma anormal.
Alguns tipos de doenças e tumores podem provocar hipertensão. A pressão alta
na gravidez pode levar à morte do feto e da mãe, por isso mais uma indicação
para o pré-natal.
A hipertensão acarreta várias complicações quando não tratada:
a - Efeitos sobre o coração - o coração tem que fazer mais força para
bombear o sangue quando existe hipertensão. Consegue por um período,
provocando aumento da espessura de sua musculatura, porém depois aparece a
insuficiência cardíaca, quando o coração não tem mais força para bombear o
sangue e, se for grave, leva à morte. Pode haver também angina e infarto.
b - Efeitos neurológicos - podem levar a infartos cerebrais, ocorrência de
"derrames" (AVC, acidente vascular cerebral) e rompimento de aneurismas.
c- Lesões retinianas - visão embaçada e cegueira.
d- Insuficiência renal com necessidade de diálise ou transplante.
e- Delírios, dor de cabeça, vertigem.
Existem medidas gerais que ajudam a controlar a doença, como: dieta
apropriada, alívio de estresse, exercícios físicos e controle de fatores de
risco como fumo ou bebida.
Você pode viver melhor e sem risco. Controle sempre sua pressão arterial e
siga a orientação de seu médico.
Robinson Botelho de Faria
O autor é Cirurgião Torácico do Hospital Souza Aguiar
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