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| Histórias
marcantes do RC Cem anos de existência – tempo bastante para a ocorrência de muitos casos, alguns pitorescos, outros que demonstram a perseverança, até a obstinação de racionalistas cristãos em defesa da Doutrina e sua intenção de divulgá-la, e também os que comprovam a existência da vida espiritual. Seguem-se duas histórias, em dois comoventes depoimentos: o de Herval Tavares de Campos, presidente da Filial São Paulo do Racionalismo Cristão e representante da Casa-Chefe no Estado de São Paulo, e o de Luzia Ferro, que tem 72 anos de Doutrina e é militante da Filial São Paulo. Herval Tavares de Campos, escolheu nos contar o início do Racionalismo Cristão na capital paulista. Foi assim: O que viria a ser o presidente astral da Casa, Antônio de Ornellas Flôr, viajou para o Rio de Janeiro em companhia de seu irmão. Cláudio de Ornellas Flôr, para ter uma entrevista com o presidente da Doutrina, Antonio Cottas. Mas, só para chegar à Casa-Chefe, foi um trabalho e tanto, como conta Campos: "Os dois encontraram uma série de barreiras para chegar ao Rio e, quando chegaram, parecia que não ia dar certo. O bonde descarrilou, o táxi encrencou e eles ainda tiveram de andar quilômetros até chegar à Casa-Chefe". O desejo de Antônio Flôr era montar uma filial do Racionalismo Cristão em São Paulo. Ele disse isso a Antonio Cottas, mas ressaltou que precisava de uma pessoa capacitada para presidir a Casa. "Cottas encarou o visitante e lhe disse para não procurar uma pessoa capacitada, pois este alguém era ele próprio", diz Campos. Motivado, Antônio Flôr voltou a São Paulo e fundou um correspondente, que foi oficializado no dia 9 de setembro de 1935. Para realizar as reuniões, este grande espírito disponibilizou a sua casa e contou com a ajuda da mulher, Maria Nunes Flôr, e de valorosos amigos, como José Joaquim Coelho, Olga Menezes, Vitorino Menezes e muitos outros. Herval Tavares de Campos entra nesta história ao chegar a São Paulo em 1936, aos 14 anos, vindo de Belo Horizonte com a família. O pai de Campos havia conhecido a Doutrina na cidade mineira e, ao chegar a São Paulo, fez questão de ir às reuniões no correspondente fundado por "seu" Flôr em Santana. Campos lembra até hoje da primeira reunião que assistiu do Racionalismo Cristão, aos 14 anos: "Era fim de junho e fazia um frio terrível". A família levava duas horas de viagem do bairro onde morava, na Vila Maria (zona Norte da capital), até Santana. Campos cresceu, se casou em 1945, tornou-se bancário e passou a participar ativamente da Doutrina. Para conseguirem o imóvel onde hoje funciona a Filial do Racionalismo Cristão, na Rua Gabriel Piza, foi uma luta danada. E, sobre isto, também tem história. Com a Casa funcionando já num sobrado, Antônio Flôr e os seus companheiros souberam da existência do imóvel da Gabriel Piza que estava sendo disputado por herdeiros do proprietário das antigas fábricas de macarrão que funcionaram no local. Flôr reuniu, então, os amigos e militantes da Doutrina, inclusive o secretário Humberto Romanelli, parou na porta da casa da Gabriel Piza, carregando uma maleta aparentemente com muito dinheiro – Herval conta que na verdade eram notas de valor baixo, mas que, empilhadas na mala, davam a impressão de uma verdadeira fortuna. Com isso, Flôr impressionou os donos da casa, que, dias depois, o procuraram novamente. Como na mala não havia aquela dinheirama toda, Flôr usou de um artifício. Disse aos donos que teve de empregar o dinheiro visto no outro dia e que agora dispunha somente de um valor mais baixo. Mesmo assim, o negócio foi feito e, como não podia deixar de ser, depois de muita luta, a Casa foi inaugurada em 25 de novembro de 1973, com a presença de mais de 2 mil pessoas. "Vieram autoridades civis, militares, representantes do governador e muitos outros", conta Herval, 88 anos e mais de 70 anos de Doutrina. Quem também se recorda com muito carinho do presidente astral Antônio Flôr é Luzia Ferro, da Filial Santana. Com os seus 72 anos de Doutrina, Luzia diz que o "seu" Flôr estava sempre disposto a ajudar. Ela lembra de uma vez, há uns 30 anos, que precisou acudir um casal que passava por enorme dificuldade e que vinha frequentando a Doutrina. A filha estava – ou parecia estar – com sério problema na cabeça e a cirurgia, arriscadíssima, já estava marcada. Luzia conta que procurou Antonio Flôr para expor a aflição do casal e ficou resolvido que este seria recebido pelo presidente na casa dele. Isso aconteceu na véspera da cirurgia. Quando o casal chegou à casa de Antônio Flôr, este pediu para ver os exames da jovem. Os pais apresentaram-lhe as radiografias da cabeça e, como lembra Luzia, "seu" Flôr gritou logo que aquilo era coisa do astral inferior, que a menina não tinha nada e orientou que ela repetisse os exames e desmarcasse a cirurgia. Assim foi feito: os novos exames não apontaram nada de irregular no cérebro da moça, e a cirurgia não foi necessária. Este caso nada tem de fantástico ou de sobrenatural, apenas é uma prova da existência da vida espiritual, que deve ser vivida paralelamente à vida material, e da influência negativa que os espíritos quedados na atmosfera da Terra exercem em encarnados não esclarecidos que cultivam vícios e maus pensamentos. É um alerta para o quanto a humanidade precisa esclarecer-se espiritualmente. Espíritos como o de "seu" Flôr lutaram muito para ajudar a implantar a Doutrina na Terra. O nosso dever é seguir o seu exemplo e usufruir do que ele e tantos outros nos deixaram. |
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