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Homens para o Brasil
Escolas de comércio e agricultura O mais sério problema a resolver é educar homens para bem servirem ao Brasil, tornando-o grande entre os maiores. Tudo se procura aperfeiçoar, em maior ou menor escala, desde os irracionais às plantas; mas, a não ser na Inglaterra e na América no Norte, nada se tem feito em relação ao homem propriamente dito. E o homem aperfeiçoa-se com a educação moral, física e intelectual, pois só assim pode ficar apto a bem cumprir os seus deveres para com a família e a pátria. Aquele que sabe e quer levantar templos à virtude e cavar masmorras ao vício encontra no momento atual ocasião propícia, porque a remodelação dos nossos usos e costumes se impõe. Aquele que tiver perfeito conhecimento de todas as coisas que o homem pode saber, para distinguir o falso do verdadeiro, poderá ver claro em suas ações e caminhar com segurança nesta vida. Porque, não sendo esclarecido, o homem é sempre um fraco, um indeciso, um infeliz, embora não o pareça. Há nesse homem assim uma como névoa que empana os objetos ou desfigura; vê sempre errado; ora crê e confia em tudo que aos mortais esclarecidos é desprezível, ora esquiva-se a tomar pelos caminhos direitos do bem-estar que eventualmente se lhe oferecem. Para que o Brasil possa, pois, ocupar o lugar que deseja e lhe cabe por direito natural, precisa que a educação dos seus filhos seja modificada, para assim obter homens propriamente ditos, como já teve em tempos idos, que o elevaram acima das nações que maiores se julgavam. A base do progresso do Brasil, como a de todos os países em formação, consiste na agricultura, indústria pastoril e no comércio. País de uma fertilidade imensa e de uma extensão tal que cada um dos seus estados é maior do que a França; país que contém em si todos os climas, menos o do extremo norte da Europa; país que pode ser considerado um paraíso, tem necessidade de homens que bem o conheçam e saibam amar. Para isso, é necessário que os homens tenham noções exatas do que seja a indústria pastoril, a agricultura e o comércio, que possam e queiram juntar a teoria à pratica, como se observa na América do Norte. Esses homens podem fazer-se em tempo relativamente curto, fechando os governos central e estaduais as faculdades de Direito e de Medicina e estabelecendo escolas de comércio, de agricultura e de indústria, em todos os grandes centros, tornando obrigatório esse ensino teórico e prático. Fundados esses estabelecimentos de acordo com as necessidades do país e não para satisfazer vaidades; desdobrando esses estabelecimentos em escolas práticas volantes, para servirem pequenas localidades, em menos de dez anos o progresso do Brasil será satisfatório e o rumo da educação intelectual terá entrado no caminho da prática. Por isso as raças do norte consideram a raça latina inferior, apesar da sua supremacia intelectual, pela falta de aplicação das suas teorias. Uma educação teórica e pratica junta à educação moral propriamente dita, que consiste apenas em não querer para os outros o que não queremos para nós, tornaria os homens mais resistentes para a luta, mais temidos na guerra e mais respeitados na paz. (Edição de 2 de fevereiro de 1917) |
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