Honradez, mãe das faculdades morais

Vantuil Fazolo

O homem honrado tem entre as qualidades a lealdade e a retidão no cumprimento do dever

Como é notório, sempre que se discorre sobre a Moral, forçosamente, há que se embasar os estudos nos exemplos de explanações legadas ao mundo por Cícero (81 a.C.) e nos conhecimentos insertos nos sábios ensinamentos de René Descartes (1496-1650), quando restaram instituídos os princípios da moral de aceitação universal.

Diríamos, então, que desde há muito e até os dias atuais, para se falar em moral ou, ainda, de uma forma mais abrangente, em moral cristã, arraigada a princípios de solidez total, há que se pautar um viver em conformidade com exemplos de honradez inteiramente ligados a uma dedicação ao trabalho, eis que o trabalho é uma tônica permanente na evolução do Universo, onde tudo está em movimento e em ação e de onde partimos, como Partícula da Inteligência Universal que somos.

Por outro prisma, antes de pensar, qualquer ser encarnado na Terra, que é um ser honrado na verdadeira acepção do termo honradez, há que perquirir, dentro do bom-senso e na análise dos sentimentos, se, realmente, pode pretender considerar-se honrado, de vez que constituem atributos inseparáveis da honradez elevação de sentimentos, desprendimento e valor.

Ademais, a firmeza de caráter é uma condição importantíssima, de vez que ser honrado não quer dizer pontualidade nos pagamentos, efetuar transações com exatidão ou proceder com fidelidade nos contratos e ajustes. Vai-se, por tais razões, mais além, eis que a lealdade entre os seres humanos e inarredável retidão no cumprimento do dever em todos os setores vivenciais completam o rol de qualidades do homem honrado.

Entrementes, como o mundo-escola Terra carece, ainda, de grande evolução e existe uma gama de espíritos desencarnados perambulando pelo astral inferior, por possuírem, apenas, o corpo mental e o corpo astral (o corpo físico já está em decomposição), estes influenciam, sobremaneira, e é por isso que não raras vezes deparamos com indivíduos encarnados que, bem ao contrário de seu planejamento quando em seu mundo de estágio, vivem aqui como parasitas sociais, locupletam-se com o trabalho alheio, julgam-se, alguns deles, grandes personagens, principalmente por possuírem bens materiais à exaustão. Ledo engano.

Por oportuno, por guardar coerência com o tema sob enfoque, reproduz-se um dos preceitos das regras da espiritualidade, selecionados por Luiz de Souza, em sua obra Ao encontro de uma nova Era:

"O preceito de 'não lesar nunca o semelhante, muito menos em benefício próprio', resulta da necessidade de vencer o egoísmo cego, que leva a criatura à prática de atos vergonhosos de espoliação, de usurpação e outros, com o intuito de beneficiar-se. Benefício louco é assim conquistado, que se converterá em malefício, para a desgraça do agente, que terá, em condições lastimáveis, de devolver tudo quanto usurpou, em dias futuros, ou, mais propriamente, em encarnações futuras.

"Ele não poderá jamais levantar os olhos perante a sua consciência enquanto não saldar, a peso de ouro, o último centavo do seu crédito malfadado.

"Quem espolia o semelhante espolia a si mesmo, porque terá de sentir na própria carne o efeito da espoliação causada a outro, por onde se confirma que quem mal faz, para si o faz.

"Os ignorantes da Verdade, que desconhecem a vida espiritual, não acreditam na lei de causa e efeito enquanto ela não despencar sobre suas cabeças. Na realidade, ao receber a carga de retorno dos males que praticam, não saberão atinar com a causa, mas depois da encarnação, quando forem conduzidos ao mundo próprio, verão ali, com todas as cores, a conseqüência desastrosa de seus crimes".

(O autor é advogado, militante da Casa-Chefe)

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