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Indiferença e desigualdade
Dirceu de Mattos Todos podem colaborar para a igualdade, ainda que em silêncio A humanidade vive no mundo contemporâneo a reminiscência de uma era marcada pelos desmandos, fruto dos interesses materiais e a ambição pelas conquistas, a qualquer custo. Para materializar esses interesses, usaram os seres, em todos os tempos, as práticas mais condenáveis, do ponto de vista dos direitos e deveres. A ONU, na convenção internacional sobre as normas de discriminação racial, ratificada pelo Brasil, diz que: "Discriminação racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional, com a finalidade ou efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em base de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública". As diferenças de raça, cor, sexo, idade, classe social, religião, sendo apenas diferenças, onde todos tem direitos iguais, foram rotuladas como desigualdades entre as pessoas, o que não lhes confere os mesmos direitos. No decorrer dos tempos, a união entre seres de raças e cores diferentes deu surgimento a outros grupos, mas, na essência, foram mantidos os usos, costumes e tradições, mantendo-se também esses novos grupos à margem dos direitos e das partilhas que lhes conferem o sentimento igualitário, porque não compuseram uma linhagem padrão, aceita pela elite. E isso se pode observar no crivo dos filtros por onde passam os pretensos candidatos a ingressar em sociedades fechadas, e, mais lamentável ainda, nas escolas, onde se estabeleceu número de vagas para estudantes da raça negra, afrontando diretamente o direito de igualdade. Esses, que por não apresentarem a "linhagem padrão", não são aceitos. O Estado e a escola promovem a educação técnica e acadêmica, mas a formação de cidadãos precisa ter como base a família, compartilhada com as diversas instituições da sociedade. Parte dessa mesma sociedade, porém, marginaliza seus semelhantes. Para se promover a renovação dos usos e costumes, diminuir as distâncias, não se deve combater pessoas, mas a sociedade ocupar-se de idéias e princípios remodeladores desses costumes, concorrendo sempre com o melhor dos esforços para a cristalização de ideais, que necessitam de modelos pedagógicos e educacionais consistentes, para demover esse estado de coisas, em todos os segmentos que se apresentam desgastados por um perfil que já não mais atende aos valores reclamados por uma nova realidade. O Racionalismo Cristão, por meio da divulgação e prática dos seus princípios doutrinários, chamando todos ao estudo, raciocínio e reflexão, participa ativamente dessa empreitada, conclamando a que se esclareçam, tomem conhecimento dos seus reais deveres, e os cumpram, formando no lar um núcleo que exercite sempre o verdadeiro sentido do que seja o viver terreno, aplicando os valores que se agregam ao patrimônio espiritual e que concorrem para a evolução e o restabelecimento da ordem e da paz. A caminhada é longa, sabemos, mas é preciso ser contínua, os valores aplicados são os morais. Portanto, todos podem dar a sua participação, ainda que em silêncio, pois as sementes de grandes e preciosas realizações são sempre lançadas à vista de poucos. A colheita, esta sim, será apreciada por centenas de milhares de seres, na plenitude espiritual. (O autor é militante da Filial Rio Claro, SP) |
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