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Causas e consequências das irritações
Heloísa Ferreira da Costa
Conhecer e trabalhar no Racionalismo Cristão não torna o ser humano
protegido ou privilegiado, mas a consciência de como funciona a mecânica da
vida material e, principalmente, espiritual faz com que possa reconhecer os
estados reais e imaginários que podem levar qualquer um a se tornar presa
fácil de espíritos do astral inferior prontos para agir.
Quantas vezes pequenas coisas do cotidiano não servem de gatilho para que
uma irritação se instale no íntimo de cada um? E de revés em revés a pessoa
vai sofrendo desgaste em sua energia anímica e expondo-se a estados de humor
ruins.
Vamos tentar exemplificar a situação: toda pessoa tem uma rotina de
procedimentos no seu dia-a-dia; essa rotina pode ser quebrada pelos mais
diferentes acontecimentos, desde um simples atraso, quando se perde a hora
de acordar, por exemplo, até um aborrecimento grande, como enfrentar
enchentes, receber notícia de prejuízos materiais, de comprometimento do
estado de saúde ou algum outro problema com pessoas de íntima relação,
quando não há o que fazer para ajudar.
Tudo começa com uma pequena questão: a tendência natural de todo ser humano
é irritar-se com aquilo que foge de seu planejamento. Fica-se pensando nas
causas do evento tentando culpar este ou aquele pelo infortúnio. Nesses
flashes de pensamentos já entramos em sintonia plenamente reconhecida por
espíritos quedados na atmosfera da Terra e que ficam à espreita para
perturbar o ambiente.
O problema é que a falta de conhecimento da vida espiritual faz com que a
pessoa, ao invés de procurar resolver a situação ou deixar para lá o
episódio, vá cada vez mais se irritando. Começa, então, a ver tudo pelo lado
negativo, como se houvesse uma conspiração mundial para o momento.
Há os que querem que uma entidade superior resolva sua vida. Quantas vezes
Antonio Cottas respondeu em suas cartas doutrinárias que, se a felicidade
dos seres humanos dependesse das Forças Superiores, todos seriam felizes,
mas a felicidade e bem-estar dependem exclusivamente do colorido dos
pensamentos, e pensamentos desconexos só podem atrair forças de igual
intensidade!
A beleza e simplicidade desta Doutrina está exatamente aí, em dar a cada
indivíduo a responsabilidade por si mesmo e pelas próprias escolhas,
permitindo que reconheça esses pequenos ataques e possa impedir que levem a
consequências maiores.
Ao constatar-se uma situação fora de controle o primeiro passo é fazer um
inventário do problema: será que é preciso o empenho de tanta energia na sua
resolução? Será que não está havendo supervalorização do problema? Será que
a irritação é válida? Será que se irritar vai resolver?
No Racionalismo Cristão é preciso dizer a verdade. Então, os que vão às
casas racionalistas cristãs precisam entender que estas são academias de
conhecimento da vida. Aplicar os princípios nelas explanados não irá salvar
ninguém, nem abrir as portas de um céu celestial, ou garantir paz eterna,
mas o que será melhor: uma mentira agradável, mas irreal, com um triste
despertar, ou a verdade e o controle em nossas próprias mãos?
Viver neste mundo nunca será fácil, não há garantias mesmo para aqueles que
têm facilidades materiais, saúde e beleza física, o bem-estar interior é
muito mais resolução do que situação, mas conscientes de que somos um
composto de Força e Matéria, espíritos em evolução através de várias vidas e
vivências na busca da fusão com o Todo, que trabalho e problema existem para
o nosso próprio bem, aí, sim, pode-se dizer que é possível ter um viver mais
equilibrado. Não podemos nos livrar das intempéries, mas podemos aprender a
dançar na chuva.
(A autora é militante da Filial Marília-SP)
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