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James Watson e a humanidade
Luiz Reis Ormonde Há quem goste de fazer cálculos; outros preferem fazer rimasJames Watson, um dos descobridores da estrutura da molécula do DNA, disse, recentemente, que era pessimista com relação ao futuro da África, pois (nas palavras dele) "...todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não". Logo após, o sr. Watson escreveu, em artigo publicado no jornal britânico de nome Independent: "Ao descobrir em que extensão os genes influenciam o comportamento moral, seremos capazes de entender como os genes influenciam aptidões intelectuais." No mesmo artigo, o sr. Watson disse ainda: "... nós, como cientistas, sempre que quisermos nos posicionar nesse grande debate, devemos tomar cuidado ao invocar verdades indiscutíveis sem o apoio de provas." Será que o sr. Watson considera verdade indiscutível que os testes apontam para uma inteligência menor dos seres humanos que habitam determinada região de nosso planeta? Que teste (ou testes) é esse? Quem padronizou o que é ser inteligente e não ser inteligente? Que perguntas, ou seja lá o que for, esse teste contém?Quem determinou que perguntas um ser humano deve responder corretamente para ser considerado inteligente? O que esses pretensos cientistas fazem é elaborar como que um jogo no qual testam a habilidade dos seres humanos. Pergunte-se se esse teste poderia definir quem é, por exemplo, mais inteligente: Napoleão Bonaparte ou Einstein? Um maestro ou um físico nuclear? Um repentista do Nordeste do Brasil ou da Região Sul do país? Eu apenas os acho lindos. Nunca me preocupei em saber quão "inteligentes" eles são. Eu apenas os amo, com o mesmo amor que dedico a toda a humanidade. Como pode alguém julgar-se capaz de quantificar algo que nem se pode definir – a inteligência? Perceberam, leitores, que é impossível avaliar a inteligência de alguém ou de algum grupo de seres humanos? Há alguns indivíduos que podem, eventualmente, não gostar de fazer cálculos, mas adoram fazer rimas. Outros apresentam gosto exatamente oposto. Como comparar ambos? É impossível! Não adianta dizer que os testes aplicados estão desvinculados de competências individuais desenvolvidas pelo maior ou menor interesse nessa ou naquela atividade porque não estão. Alguns grupos de nativos da Polinésia e de certas partes da Amazônia não sabem contar nem mesmo até cinco. Sabe por que, leitor? Porque isso não lhes traria vantagem alguma. Talvez precisem muito mais do desenvolvimento da capacidade de, absolutamente imóveis, perscrutar (investigar minuciosamente) o ambiente no meio da mata, buscando sinais, sonoros ou visuais, ou ainda outros, da caça de que vivem. Talvez possam perceber sinais de uma semente vegetal não totalmente digerida nas fezes de um animal e, com isso, saber que perto está a árvore frutífera da qual ela provém. Sabendo de onde veio o animal ou para onde vai, pela direção de suas pegadas, e quanto caminha esse animal e se fica restrito a uma determinada área territorial durante sua vida, talvez possam supor onde se encontra a tal árvore frutífera. Complexo, não? Pois é, isso eles sabem raciocinar mas contar até cinco, não, porque contar até cinco não traz vantagens para a sua sobrevivência. Aí, um pretenso cientista, vaidoso, de terno e gravata, que morreria em poucos dias nessa mesma mata, acha que ser inteligente é contar até muito mais do que cinco. Ah! Eu quase esquecia: o tal cientista deve achar também que ser inteligente é saber usar um abridor de latas! Leitor, isso sobre o abridor de latas é, na verdade, uma brincadeira. Talvez, contudo, sirva para ilustrar um pouco o ponto de vista que defendemos. Repetimos: Como pode alguém julgar-se capaz de quantificar algo que nem se pode definir – a inteligência? Mesmo sendo impossível definir a inteligência, ainda há quem proponha que ela é o resultado de um gene, ou talvez de alguns, ou ainda da organização de todos os genes. Reparou, leitor, que, mesmo que transfiramos toda essa nossa análise para a partícula da Força Criadora já individualizada em corpo humano (o espírito) é impossível definir quem é mais inteligente? Apenas ame todos os seres humanos é o meu conselho. Até o sr. Watson. Um dia ele vai parar de avaliar as pessoas. Quando desencarnar vai ter uma surpresa ao perceber que continuou existindo mesmo sem os seus genes. Foi isso que um filósofo de nome Jesus (esse, sim, um verdadeiro cientista), nos ensinou. E, com certeza, Jesus acrescentaria: Não apenas eu, inúmeros outros, em diferentes pontos desse planeta, ao longo da história da humanidade. O sentimento de fraternidade repousa no espírito de todos nós. Paremos de sufocá-lo, mesmo que de modo velado e, como no caso do sr. Watson, não intencional, em nome de pretensas verdades indiscutíveis. O autor é militante da Casa-Chefe, médico da UFRJ, professor adjunto da UGF |
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