![]() |
![]() |
|
José Ferreira da Costa, pioneiro da Doutrina em Marília-SP
Heloisa Ferreira da Costa Comemoram-se 66 anos de fundação da Casa racionalista cristã de Marília, em São Paulo, construída por iniciativa de José Ferreira da Costa, imigrante de Portugal que chegou à cidade acompanhado da esposa, Maria Augusta, em 1929. Tinha apenas instrução primária, mas sabia que o espírito humano dispõe de forças que, disciplinadas e postas em ação, tornam o indivíduo capaz de vencer grandes dificuldades. Após conhecer a Doutrina racionalista cristã, interessou-se pelo estudo da espiritualidade e construiu uma Casa com o elevado objetivo de propiciar ensinamentos para orientação racional do viver. Ensinava que a felicidade é relativa e, para desfrutá-la, é preciso disciplina nas vidas espiritual e material. Foi muito criticado na época, pessoas religiosas foram duras; afinal, era 1940. José Ferreira da Costa era um comerciante muito conhecido e respeitado, portanto se expôs quando quis dividir o bem que encontrou.Falar em ciência ao invés de religião era complicado. Muitos que estiveram na Casa não voltaram, porque toda verdade passa por três etapas: na primeira, é ridicularizada; depois, é violentamente antagonizada; por último, é aceita universalmente. As emoções, os pensamentos, as aspirações e os desejos são sementes e, como tais, só podem dar frutos da mesma espécie. Atribuímos quase sempre, e sem razão, nossos fracassos à má sorte, quando o que anula a nossa capacidade natural e não nos deixa prosperar é a dúvida de que nos apossamos e que nasce do desconhecimento do nosso verdadeiro ser. Uma Casa racionalista cristã oferece todas as condições para o auto-conhecimento, a auto-correção, mas do céu nada cai, bem o sabemos. Para se alcançar espiritualidade é preciso estudo e dedicação. Tempo para isso? Somos nós que determinamos. Quando não encontramos tempo para exercícios físicos, temos que encontrar tempo para ficarmos doentes; se não tivermos tempo para a vida espiritual, saberemos no momento adequado que o tempo não encontrado se transformou em tempo perdido, em doença para o espírito, falta de evolução, e perderemos de vista nossa família espiritual, que é muito mais importante do que a física. Se amamos tanto nossos pais, filhos e irmãos de uma única existência, calcule-se a dor de nos separarmos de companheiros de várias jornadas. É como perder um transporte que passa de século em século e todos que importam estão dentro dele – imagine-se à beira do porto fluídico, observando a luz partir. Sabemos por meio dessa filosofia de vida que existe um universo paralelo de seres desencarnados que não conseguem elevar-se ao seu mundo próprio e ficam quedados nesta atmosfera, tudo fazendo para atrapalhar as relações humanas. O desconhecimento das leis naturais e imutáveis é que determina tanta infelicidade, tanto sofrimento, mas nenhum espírito obsessor tem o poder de romper a barreira fluídica que os pensamentos elevados e valorosos formam em torno do ser humano. Os males jamais atingirão quem vive dentro dos ditames da honra e do dever. Quando a pessoa é esclarecida nenhum ódio a atringirá. Essa filosofia foi implantada no mundo Terra em 1910 por Luiz de Mattos e implantada em Marília por José Ferreira da Costa. Infelizmente não tive oportunidade de conhecê-lo em vida física, mas posso senti-lo a intuir, orientar e, principalmente, chamar a atenção para a negligência que, tantas vezes, cometemos pelo exagerado envolvimento com a vida física. O que fizermos para manter aberta a Filial Marília do Racionalismo Cristão ainda será pouco, em comparação com o que recebemos espiritualmente. Imagine-se que a vida física, como a conhecemos, fosse terminar amanhã. O que poderia ser feito em uma noite? Com esse pensamento deixo a minha singela homenagem a este amigo da humanidade que foi José Ferreira da Costa. (A autora é militante da Filial Marília, SP) |
|