Julgar a si próprio

Lília Rodrigues da S. Paiva

A Doutrina educa e mostra o valor da essência de cada um

O espírito, sendo um eterno viajante entre o plano astral e o físico, encarna, desencarna e reencarna quantas vezes forem necessárias para lapidar-se, burilar-se, a fim de conseguir agrupar em si todos os sentimentos superiores que vem trazendo desde que se desprendeu como partícula da Força Criadora. Essa partícula, numa incessante vibração agindo sobre a matéria, chega à condição de espírito e a ocupar um corpo físico para processar sua evolução. E como espírito está de posse de atributos do pensamento, raciocínio, força de vontade e livre arbítrio. E este último é que faz com que o espírito direcione sua vida, sua evolução.

A humanidade poderia estar muito além, em termos de espiritualidade, se os seres humanos soubessem fazer o julgamento por si próprios dos seus atos, hábitos, costumes e atitudes. No entanto, na maioria das vezes, o ser humano só se preocupa com a vida do seu semelhante, fazendo críticas destrutivas, nunca levando uma palavra de incentivo àqueles que estão trabalhando em prol da humanidade em geral. Sempre deixa falar mais alto a egolatria, o egocentrismo, a maledicência, a empáfia, a prepotência, contribuindo para o desrespeito ao semelhante, sem mesmo saber que o seu direito termina exatamente onde começa o do outro.

O Racionalismo Cristão, Doutrina que educa e orienta as criaturas humanas, vem, através dos tempos, mostrando em seus ensinamentos o valor da essência de cada um, pois prima pelos valores morais e espirituais sempre no sentido de levantar corpos e espíritos.

Os seres humanos têm facilidade de ver sempre os defeitos dos outros jamais se preocupando com os seus próprios. Então, envolvidos em uma onda enfermiça e nefasta, na maioria das vezes uns se associam a outros, para promover a desunião e a desarmonia. Se todos se dessem as mãos e comungassem os mesmos pensamentos de elevação, não haveria tantas mãos nem mentes para promover o sofrimento que campeia no planeta Terra, que é tão belo.

O ser humano precisa conhecer a sua composição astral e física, que é o espírito como força, inteligência e poder, associado ao duplo etéreo, que tem a silhueta no formato do corpo, porém composto de matéria fluídica ou quintessenciada, e o corpo físico, que é esta massa anatomobiológica e molecular, formado dos seus bilhões de células a compor todos os sistemas e aparelhos que funcionam perfeitamente quando está em perfeito equilíbrio iônico.

É esta a tríade ou tríplice aliança envolvida pelo campo áurico que forma a nossa composição astral e física.

E quando o espírito tem esta concepção e esta conscientização, sabe que deve a si próprio fazer no dia-a-dia o seu próprio julgamento das suas ações, atividades exercidas em todos os aspectos. É quando deverá viajar no seu âmago, no fundo de sua alma e rever todos os seus conceitos e procedimentos, e analisará, através da sua consciência, tudo que fez ou o que não fez naquele dia; e mediante esta análise chegará à conclusão de onde errou e onde acertou. Pois se errou deverá reparar os erros para não os cometer novamente, e se acertou, isso o motivará a empreender cada vez mais, lutando, trabalhando e buscando o que for de melhor para a sua evolução como também a de seu semelhante.

Todos nós devemos fazer sempre esse julgamento, no sentido de avaliarmos nosso caráter, nossa dignidade, nossa fortaleza moral e espiritual, para agirmos e interagirmos em qualquer esfera de ação de cujo contexto façamos parte, e então estaremos, sim, exercendo um papel de digno diante da Força Criadora, que comanda e incita todo o Universo, onde nós, como partícula dessa Força, estamos caminhando para a perfeição até chegarmos a uma fusão completa com ela, depois de termos trabalhado a perfectibilidade do espírito, ao atingir seu brilho máximo e intenso.

Este artigo nasceu de um pequeno bate-papo telefônico entre mim e o meu querido amigo Luiz de Oliveira Melo, filho de Luzia de Oliveira Ferro, ambos da Filial Santana (São Paulo) do Racionalismo Cristão. Foi uma conversa agradável, simples, objetiva, mas que me inspirou a escrever este tema. Obrigado, meu amigo Luiz, por esta inspiração.

(A autora é Presidente da Filial Belo Horizonte, MG)


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