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Julio Ribeiro
João Cottas Júlio Ribeiro nasceu a 16 de abril de 1845, em Sabará, Minas Gerais. Iniciou os estudos numa escola pública de instrução primária, dirigida pela própria mãe, tendo, mais tarde, freqüentado um colégio particular e cursado, até 1865, as aulas da Escola Militar do Rio de Janeiro, com os melhores resultados.Logo após haver terminado o curso, dedicou-se ao magistério, à literatura e à imprensa. Foi, além de eminente romancista, jornalista brilhante, grande filósofo e excelente polemista. Júlio Ribeiro escreveu importantes obras didáticas: Gramática Portuguesa (1881), que recebeu aprovação unânime, sendo adotada nos colégios, Questões Gramaticais, Traços Gerais de Lingüística e Gramática da Puerícia. Como romancista, cultivou a escola naturalista, deixando dois livros: o Padre Belchior de Pontes, romance histórico da época colonial, e A Carne, em moldes realistas, largamente discutido na ocasião e com o qual alcançou o seu maior êxito. Júlio Ribeiro publicou ainda Cartas Sertanejas, reunião de dez artigos republicanos. Em 1886 passou a residir em São Paulo. e, por concurso, torna-se professor de latim do curso anexo à Faculdade de Direito. Mais tarde lecionou Retórica no Instituto de Educação de São Paulo e, a partir de 1889, lecionou a mesma disciplina no Ginásio Nacional, depois Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Amigo incondicional de Luiz de Mattos, cuja casa em Santos, São Paulo, freqüentava assiduamente, juntamente com esse amigo e Quintino Bocaiúva, Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, lutou pela abolição da escravatura, cuja lei foi sancionada em 13 de maio de 1888, pela Princesa Isabel, filha do Imperador D. Pedro II e da Imperatriz D. Teresa Cristina. Para se avaliarem o valor e o caráter de Júlio Ribeiro, transcrevemos o seguinte texto, que ele escreveu em 1885: "O homem que sabe servir-se da pena, que pode publicar o que escreve e que não diz a seus compatriotas o que entende ser a verdade, deixa de cumprir um dever, comete o crime de covardia, é mau cidadão." Notável, em sua vida, pela altivez e independência de caráter, deu sempre o exemplo de extremo rigor no cumprimento do dever. Foi o primeiro dos gramáticos da sua época, mais talentoso, mais culto, com superior educação literária, e um romancista que não pode ser esquecido. Júlio Ribeiro, quando ainda muito poderia produzir e ser útil ao Brasil, faleceu, prematuramente, a 1º de novembro de 1890, aos 45 anos, em Santos, vítima de pertinaz moléstia – a tuberculose, em deplorável pobreza. Quando o seu leal e verdadeiro amigo Luiz de Mattos teve conhecimento das suas condições de saúde e situação financeira, imediatamente o levou para sua casa, em Santos, proporcionando-lhe todo conforto, assistência médica e moral, mas já era tarde demais e Júlio Ribeiro veio a falecer nos braços do seu grande amigo. Júlio Ribeiro, que foi um jornalista respeitado, escritor, romancista, professor e pertenceu à Academia Brasileira de Letras, ficou, como tantas outras figuras célebres, esquecido através do tempo. Somente em 3 de maio de 1932 o professor Edgard Ribeiro Bastos, filho de Henrique Ribeiro Bastos, que foi grande amigo e companheiro de Luiz de Mattos e de Antonio do Nascimento Cottas, na Doutrina Racionalista Cristã, teve a feliz idéia e o gesto altruísta de fundar um Colégio no Rio de Janeiro e dar-lhe o nome de Instituto Júlio Ribeiro, como homenagem a esse extraordinário abolicionista da escravatura no Brasil e entusiasta e dedicado propagandista das idéias republicanas. (Edição de 19 de outubro de 1984) |
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