![]() |
![]() |
|
|
|
|
Linha de fronteira Heloisa Ferreira da Costa Qualquer que seja a perda sofrida, precisamos não nos deixar perder em detrimento dela Existe um filme chamado Linha Mortal. Nele, os personagens, estudantes de medicina, resolvem fazer experiências de quase morte para tentar desvendar os mistérios da morte. Recentemente, houve um acidente com um Airbus e, claro, ficamos consternados com esses acidentes de grande monta e em que ocorrem perdas prematuras de encarnações. Isto me fez refletir sobre o assunto: o que separa a vida e a morte é uma linha muito tênue, mas as pessoas estão tão envolvidas pela matéria que raramente se preocupam com este assunto. O que se percebe é um comentário geral, mundial. A mídia começa a esmiuçar as histórias de quem perdeu o avião, quem embarcou na última hora, quem estava em lua-de-mel, quem ganhou a viagem como prêmio. Questionam-se os motivos de alguém morrer “antes da hora”. Pessoas ficam com uma sensação de alívio por não haverem sido elas as vítimas, esquecem-se de que nós seremos os próximos, cedo ou tarde estaremos atravessando o portal que nos levará ao outro lado da vida. Tudo isso, porém, tem como causas o desconhecimento total da vida fora da matéria e o desinteresse nesta procura enquanto não se julgar estar próximo da morte e "rezar" para sempre estar livre dessas tragédias, como se ‘Deus’ escolhesse quem vai viver ou morrer, simplesmente ao acaso, como num tabuleiro de xadrez, o bem jogando contra o mal e dando o cheque-mate nas consequências finais. O Racionalismo Cristão avalia esses fatos de forma simples e objetiva: "um acidente, e ponto!". Não há que se preocupar se este ou aquele cidadão merecia ou não estar no local errado, na hora errada, se ‘Deus’ decidiu que um passaporte ia estar vencido, evitando que o indivíduo morresse, ou seja, até a desorganização de alguém é atribuída à obra divina, tábua de salvação. Se ao invés dessa crença tão errada que acompanha a história da humanidade fossem as pessoas esclarecidas pelos princípios espiritualistas, este planeta estaria bem mais adiantado, e não haveria tanta preocupação com o corpo físico dos que deixam esta vida, porque saberiam que o espírito tem a sua origem no infinito, sua natureza é dinâmica e sua função primordial é a evolução através de vidas sucessivas. O espírito, como Força que é, não se destrói, não se aniquila; existe, subsiste e persiste; vem do infinito em marcha para o eterno. Assim, a busca pelos corpos dos passageiros do voo 447 é importante para findar o processo de vida material e propiciar às famílias o fechamento de inventário e tirar a sensação de que a pessoa sumiu no ar, ou seja, propiciar um fechamento daquela existência. Qual o sentido de se especular a condição desses corpos? Ora, mais de uma semana no mar, é óbvio que se deterioraram, são apenas matéria em decomposição, não está mais ali a Força que animava o organismo. Irradiamos nossos pensamentos a todos que perdem a vida material, principalmente de forma abrupta como esta, mas nossos pensamentos são para que esses espíritos desencarnados possam seguir seu caminho e, para que os espíritos que ficaram possam aceitar a inevitável lei natural e imutável da natureza. Seja qual for a perda que soframos, precisamos não nos deixar perder em detrimento a ela. O corpo físico é muito importante para o espírito, é a condução usada na evolução e nos propicia através da experiências neste plano alcançar maior evolução. O esperado é que se possa viver todas as fases da vida colhendo as lições, mas é necessário compreender que a ligação da vida material e imaterial é feita por cordões fluídicos que podem ser quebrados a qualquer instante. Podemos dizer que, como espíritos encarnados, vivemos numa corda bamba, é preciso que essas catástrofes sirvam de alerta às pessoas para que se dediquem mais ao lado espiritual. Felizmente já encontramos o Racionalismo Cristão e aqueles que militam por esta nobre causa anseiam poder dividir esse bem precioso, essa paz, essa convicção do que iremos encontrar quando tudo isso que percebemos com os cinco sentidos da matéria findar, ao menos temos uma idéia lógica. A desencarnação é uma viagem, e como disse a mãe de um dos passageiros encontrados: "Prefiro me lembrar dela no momento do embarque." O maior bem que esta filosofia nos dá é a coragem de tudo enfrentar, lembrando que coragem nem sempre é ausência de medo, mas sim, ação mesmo diante dele.
|
|
|
|
|