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Que fazer do livre-arbítrio?
Tharsila Prates Erra quem pensa que a vida é uma sóUma propaganda de carro em uma famosa revista semanal, recentemente, me chamou a atenção. Fui lendo e pensando o seguinte: "Na sua vida, você é motorista ou passageiro?", pergunta a propaganda. Eu logo pensei: "Passageiro", me lembrando de que tirei carteira de habilitação, mas não dirijo por vários motivos: nunca tive um carro, mudei de cidade etc. E, com isso, já me senti um pouco rebaixada (desculpe a franqueza). A propaganda continua: "Você se apaixona diariamente?" "Você enxerga detalhes que muita gente não vê?" Aí, comecei a ficar nervosa. Essa é, exatamente, uma característica essencial na minha profissão, que, muitas vezes, não obedeço. O dia-a-dia é corrido e alguns detalhes às vezes passam em branco. O comercial não havia acabado, para o meu desespero: "Você usa as novas tecnologias para facilitar a vida?" Gritei comigo mesma: "Não e não”. Até há poucos dias não sabia nem como funcionava um pen-drive. E, por incrível que pareça, não uso agenda no meu celular. Já estava me sentindo meio mal com a propaganda, quando veio a última pergunta: "Você já parou para pensar que a vida é uma só?" A-ah! Peguei a propaganda! É claro que a vida não é uma só. Para nós, racionalistas cristãos, essa verdade é clara e cristalina como água. Hoje, passageiro; amanhã, motorista. Hoje, mulher; amanhã, homem. Hoje, egoísta; amanhã, generoso. Hoje, ladrão; amanhã, pessoa de confiança. E assim, sucessivamente. O ser humano é um ser inteligente. É uma força que se vai lapidando a cada encarnação vivida. Um erro ontem pode tornar-se um acerto amanhã. E o sofrimento para que isso aconteça é a energia que faz com que subamos os degraus. O instrumento para que isso aconteça é justamente a reencarnação. RACIONALIDADE. Por isso, não é racional entrarmos na onda do "vamos aproveitar que a vida é uma só". Depois, o arrependimento bate e não deve ser uma sensação nada boa, como atestam as manifestações mediúnicas que ocorrem durante as reuniões racionalistas cristãs. E isso não é difícil de entender. Infelizmente, ouvimos essas barbaridades quase todos os dias, assim despretensiosamente. A maioria das pessoas não sabe mesmo de onde veio, o que faz aqui ou para onde vai após a "morte". Aliás, também é comum ouvirmos: "Que nada, depois que morre vai todo mundo para o mesmo lugar!" Há porém uma frase também repetida por aí, que encerra uma verdade: "não estamos aqui a passeio." Temos que trabalhar, corrigir os nossos erros, realizar os nossos sonhos ou cumprir o que traçamos em plano astral. Temos ainda que fazer coisas boas, ou seja, pôr o nosso livre-arbítrio para a prática do bem. E devemos fazer o bem não porque a nossa vida aqui na Terra é curta ou uma só, como pensam muitos, mas porque com isso acumulamos "pontos" na escada da evolução e porque é o certo a fazer. "Os bens materiais, já se fez ver, ficam na Terra. Os espirituais, não. Esses nunca se separam de quem os sabe acumular. E a melhor fortuna a que o ser humano pode aspirar é a que se forma por meio de ações nobilitantes, que refletem sempre a grandeza do caráter." Isso é o que ensina o capítulo "O Caráter", da obra básica do Racionalismo Cristão. E é isso que devemos seguir. Por isso, é preciso raciocinar sobre os verdadeiros princípios que norteiam a vida espiritual. A reencarnação, a lei de causa e efeito e o livre-arbítrio são alguns desses princípios. Vamos continuar estudando para podermos nos aperfeiçoar. Aproveitar a vida, porque ela é uma só, como sugere a propaganda da revista, não está com nada. A autora é jornalista |
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