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| Luiz de
Mattos, um vencedor Tharsila Prates O nome completo era Luiz José de Moraes Mattos Chaves Lavrador, nascido em 1860 na província de Trás-os-Montes, em Portugal, mas ele preferia apenas Luiz de Mattos. Veio para o Brasil ainda adolescente, aos 13 anos, encontrar-se com o irmão Victorino de Mattos Lavrador, que trabalhava como negociante no Rio de Janeiro. Uma das primeiras providências do irmão foi internar Luiz de Mattos no Colégio São Luiz, para que seguisse os estudos. Tempos depois, Luiz de Mattos foi autorizado a se mudar para Santos, onde viviam os seus tios. Em Santos, este grande espírito empregou-se numa casa de estivas, passando depois para o comércio de café. Em um perfil sobre Luiz de Mattos, o consolidador da Doutrina, Antonio Cottas, lembra que Luiz de Mattos era dotado de inteligência acima do comum e tudo assimilava com facilidade. Além de negociar muito bem, sabia fazer com perfeição atividades como ensacar, empilhar, separar e qualificar o café. Trabalhando nesta área foi que Luiz de Mattos começou a se relacionar com políticos, fazendeiros, negociantes, industriais, literatos, conquistando a amizade de compradores e vendedores de café. Isso tudo sendo ainda muito novo: tinha menos de 30 anos de idade. Com o respeito conquistado, Luiz de Mattos conseguiu estabelecer em Santos a maior casa portuguesa exportadora de café. Como lembra Antonio Cottas, Luiz de Mattos aos 26 anos já acumulava considerável fortuna, sempre muito ativo, trabalhador e gozando de grande prestígio. Com a prosperidade do comércio de café, ele fundou outras empresas no Rio de Janeiro e também em Santos. Paralelamente às atividades comerciais, Luiz de Mattos prestava serviços humanitários, como fazia na Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos, casa que ele não deixou fechar as portas. Luiz de Mattos foi um grande abolicionista, amigo dedicado de José do Patrocínio, Júlio Ribeiro, Chico Glicério, Campos Salles, Bernardino de Campos, Santos Pereira, Luiz Gama e outras personalidades. Quando promulgada a lei de 13 de maio, que aboliu a escravidão, ele, Homem de Bittencourt e outros brasileiros e portugueses realizaram em Santos esplêndidas festas em comemoração ao grande acontecimento, que ajudou o Brasil a entrar no convívio das nações civilizadas. Por conta do grande prestígio, Luiz de Mattos foi convidado para ser deputado, representando o povo paulista, mas recusou por não querer deixar o cargo de vice-cônsul de Portugal, que exercia desde 1887. Mais tarde, Luiz de Mattos acabou por deixar os negócios de café para se dedicar à vida privada, mas logo se sentiu desconfortável e abriu nova empresa no Rio de Janeiro. Quando não estava trabalhando, Luiz de Mattos gostava de ler, caçar, pescar e passar o tempo junto à família. Sobre ele, Antonio Cottas escreve: "Era austero, mas de uma bondade sem limites, metódico e disciplinado. Tinha horas para tudo. Com os filhos brincava, fazia ginástica, ensinava-lhes tudo quanto era preciso fazer, quer para estar em sociedade, quer para se defender dela". Luiz de Mattos não tinha religião, mas era grande conhecedor da moral cristã. Foi só aos 50 anos de idade que Luiz de Mattos, influenciado por amigos, se interessou pelo espiritismo, não sem antes mostrar-se desconfiado. Com os estudos iniciais, ele concluiu que o corpo humano não passava de uma série de engrenagens e que, acima dele, deveria existir algo mais. Certo dia, assistiu a uma reunião espírita, frequentada por dois amigos. Luiz Thomaz, que a essa época não era amigo íntimo de Luiz de Mattos, foi também. E o caso deu-se assim, como conta Antonio Cottas: "Ao chegar à porta de um "casebrezinho", já o estava esperando um homem que lhe diz: – Sr. comendador [Luiz de Mattos], o nosso presidente astral, padre Antonio Vieira, ordenou-nos que, quando o senhor chegasse, lhe déssemos a presidência dos trabalhos. – Está maluco, homem, eu não entendo disso, eu fico mesmo aqui da porta a presenciar. Mas, diante da insistência, quer do homem que o esperava à porta, quer dos seus dois amigos, lá foi ele para a cabeceira da mesa." Começa aí a pesquisa do mestre sobre o espiritualismo e sobre a ação da Força sobre a Matéria. Durante as reuniões, Luiz de Mattos era aconselhado por Antonio Vieira a não só estudar como também a doutrinar e esclarecer as pessoas que o procurassem. O centro deixou de funcionar no velho casebre, mas numa casa de propriedade de Luiz de Mattos. Assim foi iniciada a Doutrina, em 1910, na cidade de Santos, construindo-se um edifício para a sua explanação na Avenida Ana Costa, 67, e outro no Rio, em 1912, na Rua Jorge Rudge, 121, para onde, por ordem Superior, passou a chefia da Doutrina, porque era a capital do país. Compreendida a Doutrina, Luiz de Mattos se entregou a ela, de corpo e alma, como lutador incansável, nos deixando esta grande fortuna que é o Racionalismo Cristão. Para que a Doutrina se estabelecesse, Luiz de Mattos passou por diversos apuros, inclusive tentativas de assassinato, assim como o seu companheiro Luiz Thomaz, a quem foi confiada a tarefa de cuidar da parte material da Doutrina. Nada que abalasse esses dois grandes espíritos e a obra que eles nos legaram. Mais informações sobre a vida de Luiz de Mattos podem ser conferidas na biografia que será lançada na Filial Santos, dia 30 de janeiro. (A autora é jornalista) |
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