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Luiz de Mattos foi um lutador incansável
Antonio Cottas Inaugurado o Racionalismo Cristão no Rio de Janeiro, Luiz de Mattos iniciou a explanação da Doutrina no jornal Tribuna Espírita e, algumas vezes, pela imprensa em geral. Quatro anos depois, por ordem superior, fundado foi o jornal A Razão, a 19 de dezembro de 1916. Nesse jornal, o mais liberal que já houve, independente e orientador, todos eram doutrinados: governos, ciência, civis, desde o industrial ao operário, desde o lavrador ao vendedor etc. Nesse órgão do Racionalismo Cristão, gastou Luiz de Mattos a sua energia, a sua vida. Sustentou as campanhas mais sérias de que até hoje temos notícia.Por mais de uma vez tramaram o assassinato de Luiz de Mattos, mas, não o conseguindo nas emboscadas traiçoeiras que lhe armavam ao passar o seu carro, incumbiram dessa criminosa tarefa um bandido, que se dizia seu companheiro da Doutrina. Esse infeliz, todos os dias à noite lhe beijava a face e se despedia, como se tocado pelo sentimento de verdadeiro amigo ou de um filho que o sabe ser. Mas, no entanto, a ruminar-lhe a alma trazia o crime e o premeditou com uma covardia vilíssima. Certo dia, alegando precisar falar-lhe com toda a urgência, às 5h30min da manhã, desce Luiz de Mattos dos seus aposentos às pressas para atender ao suposto amigo, que trazia o sorriso nos lábios mas a alma cheia de fel, e supondo que alguma enfermidade ou coisa grave houvesse em sua casa, pronto para ouvi-lo, ao descer a escada, vê-se inopinadamente alvejado à queima-roupa, por quatro balas de revólver, tendo a última ainda lhe chamuscado a manga do pijama. Vendo-se frustrado em sua tentativa de eliminar o benfeitor, fugiu, covardemente, supondo que Luiz de Mattos o processaria ou lhe mandava fazer o mesmo. Enganou-se, porém, visto Luiz de Mattos ser homem sempre temido e respeitado pelas suas nobres ações. O quanto tinha Luiz de Mattos de enérgico, guerreiro ou lutador, na defesa da Família, dos Amigos e da Pátria, tinha também de bondoso, superior e altruísta. Na sua alma não havia lugar para o rancor. Para ele, a palavra "não" devia desaparecer. O que mais lhe custava era negar, era deixar de servir a quem o procurava. Sua indômita coragem, seu grande valor se tornaram evidentes quando, à frente da A Razão, no seu artigo a Nota, diariamente doutrinava, esclarecia, orientava governos, ciência e povo. Foi com a sua Nota que Ruy Barbosa ficou ciente de que nunca seria presidente da República por ter sido ingrato filho. Tendo levantado a sua candidatura civilista para combater e derrotar a militar, de Hermes da Fonseca, abalou-se para os Estados em propaganda política, recusando-se a representar o País na Liga das Nações. Os vadios foram muitos, aves de rapina, sem asas, voavam no patrimônio da A Razão, e daí alguns terem se enchido à custa do jornal, porém, é ditado velho: "o alheio chora o seu dono". Foi, pois, Luiz de Mattos um lutador incansável. Sua desencarnação deu-se antes do tempo. Concorreram para a antecipar: a falência de médiuns, a quem ele estimava como filhos, a quem ele esclarecia carinhosamente e amparava espiritualmente, sempre desejoso de vê-los progredir. Vivia para a Doutrina, e, consigo, queria ver caminhando os que se diziam ser seus amigos. Na A Razão, quantas noites de tremendas lutas ele passou! A luta foi grande, porém a maior que se viu forçado a travar foi para varrer do seu espírito as dores produzidas pelas ingratidões, pelas perversidades dos que se diziam seus amigos e se tornavam traidores, vilões. Desencarnou essa nobre alma para entre nós continuar a lutar, e hoje mais ainda do que quando possuindo corpo físico. Agora ela é livre e está onde é preciso para intuir os que demonstrem querer lutar por causas justas. A sua Obra ainda vagamente é definida, mesmo pelos que se julgam esclarecidos e conhecedores da Doutrina. Com o tempo, porém, os homens a compreenderão, e terão então a medida exata do trabalho de autêntico gigante que Luiz de Mattos realizou, à custa de todos os sacrifícios, para confraternizar e espiritualizar a Humanidade. (Artigo escrito com base no livro Assim surgiu o Racionalismo Cristão, de autoria de Antonio Cottas, editado em Portugal) |
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