Maria de Oliveira

Maria Teresa Gomes

Médium vidente que dedicou a existência física a ajudar pessoas

Maria de Oliveira é um exemplo cristalino e ímpar no cenário do Racionalismo Cristão. Nasceu em 24 de dezembro de 1890, em Ovar, Portugal, no seio de uma família numerosa. Seus pais, modestos lavradores, tiveram onze filhos, prole criada com dificuldades. Com forte noção de honradez e caráter, essa grande família era respeitada por toda a vizinhança, devido ao comportamento e amor entre pais e filhos.

Depois de casada, sob a influência de fortes intuições e com o apoio do marido, Maria de Oliveira sentiu a vontade incontida de conhecer novas terras e pessoas. A realização desse sonho se deu quando seu esposo recebeu oferta de emprego como maquinista numa indústria (moinho de cereais) em Luanda.     

Do livro Como Cheguei à Verdade, um fato curioso. Desde menina, Maria de Oliveira  revelou-se médium vidente e intuitiva. Aos sete anos, era admirada pela energia e entendimento das coisas, a tal ponto que o pai, a despeito da sua tenra idade, lhe confiava a tarefa de cuidar da alimentação e acomodação do gado.

Conta ela que, certa noite, como habitualmente fazia, antes de deitar-se, foi ao estábulo verificar se o gado estava todo recolhido e a porta fechada. Entrou, viu que tudo estava em ordem e voltou, satisfeita, para casa.

Seu pai, que também era médium vidente, ao regressar da casa de parentes, quando a família repousava, foi surpreendido com um dos bois, apelidado de "Pinto", em grande fúria, devastando a horta. Aterrorizado, começou a gritar, tentando, em vão, afugentar o animal. Ao ouvir os gritos do pai, a pequena Maria saltou da cama e correu ao seu encontro, ficando surpreendida ao deparar com o boi, sempre tão manso, tão pacífico, arrasando a horta, indiferente às exclamações e ameaças do dono.

Censurando a filha, com termos ásperos, por haver deixado a porta do estábulo  aberta, para lá se encaminhou com ela para ver se o gado restante havia também fugido, e com grande espanto ambos constataram que não só a porta do estábulo estava fechada, como todo o gado, sem excluir o boi "Pinto", se achava pachorrento e sossegado, nos mesmos lugares em que a menina os havia deixado.

Pela primeira vez na vida, via a pequena Maria o pai chorar com ela no colo, como que a lhe pedir perdão, por haver perdido o controle e tê-la tratado, contra seus hábitos, rudemente. Como é fácil compreender, a cena do boi "Pinto" e da devastação da horta foi engendrada pelo astral inferior para perturbar o pai e a filha.

Algumas considerações sobre esse valoroso espírito: enquanto encarnado, em corpo feminino, ganhou o nome de Maria de Oliveira. Foi uma existência física rica em espiritualidade, tornando-se um valoroso instrumento das Forças Superiores. A mediunidade de vidência e auditiva, que desde os sete anos de idade aflorava com exuberância, deu-lhe condições de, ao longo da sua laboriosa vida terrena, ajudar a acudir dezenas de pessoas com problemas psíquicos, trazendo-lhes alívio, conforto espiritual e incentivo na luta pela vida.     

O livro Como Cheguei à Verdade é um grande legado de Maria de Oliveira para o Racionalismo Cristão. Através dele se reconhece a fantástica saga de um ser humano que procurou ajudar a todos, desinteressadamente, valendo-se da espiritualidade invulgar a serviço do amor ao próximo, sem estar à espera  de recompensas. Merece ser lido e divulgado, para que outras pessoas tenham conhecimento dele.

(A autora é Secretária da Casa-Chefe)

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