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Mediunidade não é enfermidade mental
Marclei Barbosa Santiago
Mediunidade não é enfermidade, jamais. É faculdade da percepção sensorial,
manifestação da inteligência, poder da partícula da Força em evolução de
perceber e realizar fenômenos físicos e psíquicos e gerar fatos espirituais.
Deve ser empregada sempre para o esclarecimento da humanidade, para o bem,
porque seu uso indevido, para o mal, predispõe e pode acarretar uma doença,
a obsessão. Esta, sim, é enfermidade psíquica que assola a humanidade.
A obsessão se caracteriza pela ação externa persistente de uma inteligência,
o espírito obsessor, que subjuga outra inteligência, o espírito que se deixa
obsedar, para influir sobre este negativamente. As modalidades mediúnicas
são os meios, as vias através das quais se chega à obsessão, que é
decorrente do desconhecimento das faculdades mediúnicas, dos pensamentos de
baixa vibração, da vontade mal educada, do mau uso do raciocínio e do
livre-arbítrio. O uso repetitivo da faculdade mediúnica, infringindo leis
naturais, é uma das causas determinantes da doença obsessão.
A mediunidade é uma faculdade inata e se apresenta por diversas modalidades
conhecidas, sendo a intuitiva a via mais utilizada para a comunicação entre
os espíritos, e acontece através da linguagem universal do pensamento.
Existem outras modalidades, como a vidente, a auditiva, a olfativa, a de
incorporação, a psicográfica e a clarividente. Outras mais certamente
existem além do conhecimento humano.
O médium é o agente através do qual os fenômenos psíquicos e os fatos
espirituais podem acontecer. Ele é o instrumento capaz de captá-los e
registrá-los, tornando-os evidentes e palpáveis, é o elemento de ligação
entre o plano físico e o astral, ou sutil, ou metafísico.
As partículas da Inteligência Universal, encarnadas ou não, possuem
mediunidade. Portanto, se a faculdade mediúnica fosse doença, todas essas
partículas ou inteligências seriam doentes. Isso seria impossível, uma
falha, um contra-senso, uma aberração por iniciativa da Inteligência
Universal, da Força Criadora, que teria gerado todas as suas partículas
doentes.
As leis naturais são perfeitas, imutáveis, infalíveis e absolutas, não
havendo possibilidades de ocorrerem incertezas, erros, exceções a regras ou
leis. A natureza das leis espirituais não permite exceções. Elas são justas,
certas e necessárias para que a evolução, lei maior do Universo, ocorra.
Eventos como fenômenos psíquicos e quaisquer outros tipos de sinais ou
registros que são gerados ou captados dos planos astrais, como intuições,
formas astrais, vozes, odores, interpenetração e entrelaçamento de natureza
fluídica, e outros fenômenos psíquicos resultantes do poder do pensamento
agindo equilibradamente e em ações coordenadas com o poder mediúnico, como a
telepatia, a levitação, a materialização e desmaterialização, o transporte
de matéria, ou qualquer outra forma de expressão, comunicação ou de
manifestação mediúnica, não são motivo para indicação de remédio de tarja
preta ou de submissão a outros tipos de tratamentos ortodoxos por um
determinado período ou pelo resto da vida.
Os profissionais da saúde que tratam o assunto devem despertar e ficar
atentos, tomar cuidado e adotar nova postura frente a esses fenômenos
perfeitamente naturais, que fazem parte do vasto campo da espiritualidade,
procurando sempre fazer a distinção correta entre os estados psíquicos
naturais, por isso normais, proporcionados pela faculdade mediúnica, dos que
são patológicos, provocados por doença.
Casos relatados, observados ou constatados de pessoas que demonstram de
alguma forma sua capacidade mediúnica jamais podem ser considerados como
alucinações e tratados como enfermidade. Os médicos, principalmente os
psiquiatras, devem aprender a fazer a distinção correta entre os estados em
que ocorrem percepções conscientes, semi-conscientes, ou inconscientes de
fenômenos psíquicos perfeitamente naturais vivenciados por seus pacientes
normais e saudáveis, por intermédio da mediunidade, dos estados que seriam
anormais ou doentios apontados como doenças psiquiátricas, que são as
psicoses e as neuroses.
Na prática, lamentavelmente, o que se observa de uma forma geral são médicos
e outros profissionais da área de saúde rotularem as pessoas que possuem
essas modalidades mediúnicas como psicóticas e as tratarem com medicamentos
pesados por um bom tempo ou pelo resto de suas vidas. Essas pessoas são
normais, sadias, e só pelo fato de possuírem mediunidade não podem ser
tratadas como se apresentassem um quadro de desequilíbrio mental ou
transtorno psíquico. Os profissionais da área de saúde, principalmente os
psiquiatras, os psicanalistas, os psicólogos e outros responsáveis que
estudam e cuidam da saúde mental e física, têm o dever de aprender a
examinar seus pacientes como seres integrais, sabendo diferenciar,
diagnosticar e tratar o que é afeto às esferas biológicas, psicológicas e
espirituais. Quando assim procederem, teremos processos e resultados mais
eficazes, e com isso haverá menos prescrições e consumo de remédios e
tratamentos desnecessários, menos doentes nos hospitais, loucos nos
hospícios, pacientes nos consultórios e divãs de especialistas que cuidam do
comportamento e da psiqué humana. Quantos diagnósticos e tratamentos médicos
equivocados custaram vidas e poderiam ter sido evitados, bastando para isso
que houvesse a abertura e interesse por parte dos pesquisadores e
profissionais das ciências médicas em se debruçar no estudo criterioso e
profundo da espiritualidade e na investigação e compreensão dos fenômenos
psíquicos e dos fatos espirituais que constituem objetos de estudo do
espiritualismo, objetos esses que não são sobrenaturais e nem
extraordinários e, sim, naturais, comuns, ordinários e até mesmo frequentes!
O que acontece são apenas manifestações da parcela da Força em suas diversas
realizações. Profissionais de todas as áreas do conhecimento, pesquisadores,
público em geral, que são desconhecedores da espiritualidade ou negligentes,
despertem para a composição de todos nós como Força e Matéria, deixando de
lado a limitada visão materialista, reducionista, organicista da natureza do
ser, passando a enxergá-la dentro de uma perspectiva holística, como
constituída de corpo físico, corpo fluídico e espírito, que é o principio
inteligente capaz de sentir, perceber, compreender e realizar fenômenos
físicos e psíquicos, perfeitamente naturais, viabilizados pela faculdade
mediúnica, que é uma capacidade da percepção sensorial conquistada por
esforço próprio, através da evolução, portanto, um poder do espírito e não
uma doença física ou psíquica consumada.
As nossas aspirações, carregadas de otimismo, são no sentido de que a
mediunidade seja de fato objeto de pesquisa científica em todas as áreas do
conhecimento, estudada, compreendida e levada a sério por toda a humanidade.
(O autor é professor universitário, em Belo Horizonte)
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