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Casa-Chefe Meio século de existência Antonio Cristovam Monteiro Ao comemorarmos meio centenário da inauguração da nova Casa-Chefe do Racionalismo Cristão, extravasa-se incontido júbilo por tão auspicioso acontecimento. Nada mais confortante do que trazermos à memória fatos, passagens da árdua e gloriosa campanha efetivada para conseguir-se o prodígio arquitetônico que é a nossa Casa-Chefe, ponto máximo de apoio das Forças Superiores. No mar encapelado desse gigantesco empreendimento, começaremos por ressaltar a determinação corajosa do seu idealizador e realizador, o nosso inolvidável e saudoso Mestre Antonio Cottas. Lançada a idéia, José Pereira Fernandes Dias, estimado diretor por muitos anos, até desencarnar no cargo de procurador, conceituado mestre no ramo da construção civil, tomou a iniciativa de apresentar um majestoso projeto, no estilo manuelino, que a todos encantou e que esteve, por algum tempo, em estudo, acabando por não ser aprovado pelo elevado custo de execução. Logo a seguir surgiu outro projeto pelas mãos de Roberto Dias Lopes, diligente diretor que, também por longa data, até desencarnar, desempenhou com dedicação o cargo de vice-presidente. Projeto de linhas sóbrias, sem muitos rebuscados artísticos, de execução bem mais em conta, nem por isso perdia em imponência para o projeto anterior. Todavia os recursos financeiros de então eram um tanto escassos para essa execução, afigurando-se uma temeridade seu enfrentamento. Foi aí que se fez presente a energia catalisadora, inquebrantável de Antonio Cottas. Imantado na força irradiante do Astral Superior, com serenidade e decisão, reuniu a diretoria para discussão final e aprovação do projeto, recebendo o apoio irrestrito e total dos diretores presentes. Eram eles: Roberto Dias Lopes, vice-presidente, Orlando José da Cruz, secretário; o escriba dos presentes rabiscos, procurador; Ezequiel Novais Vieira de Castro, tesoureiro, e os demais diretores Francisco Pereira Torres, Antonio Marques, Custódio Domingos Correia e Belmiro Macedo da Costa. Espontaneamente foi logo subscrita substancial contribuição que, com os recursos disponíveis em caixa, já atendiam as primeiras providências para preparo do terreno e início das fundações. Causava admiração ver a incansável atividade de Antonio Cottas, agora redobrada pelo desempenho dos encargos para obtenção de numerário para dar continuidade à obra. Houve regime de extrema poupança na gerência das finanças, continuada colaboração dos diretores na medida das suas possibilidades, e doações por parte de freqüentadores e simpatizantes da Doutrina. Valorosamente ia Antonio Cottas tocando o barco. Por vezes, quando visitava solitariamente a construção, fortalecia sua confiança irradiando aos espíritos superiores de Luiz de Mattos e Luiz Thomaz para que lhe dessem forças para o desempenho dessa nobre empresa a que se propusera, apoio espiritual que nunca lhe faltou. Muito lhe valeu a prestimosidade de Roberto Dias Lopes, que, com sua importante empresa Tondela Construções Engenharia Ltda., tomou o encargo da construção, tecnicamente dirigida por seu filho, o engenheiro Nélson Dias Lopes, que seguiu o exemplo de extrema dedicação de seu pai à causa racionalista cristã. Também o Dr. Nélson deu continuidade ao exercício da vice-presidência do Racionalismo Cristão, quando da desencarnação de Roberto Dias Lopes. Levada a cabo essa heróica batalha, aí está o grandioso monumento arquitetônico, para merecido orgulho dos racionalistas cristãos. A solenidade de inauguração, já lá vai meio século, iniciou-se com momento cívico. Antonio Cottas hasteou a Bandeira brasileira, ao som do hino nacional executado por banda de música, sendo entusiasticamente aplaudido pela multidão presente. Em seguimento, levando pelas mãos duas crianças, uma, sua neta, e a outra, neta de Roberto Dias Lopes, chega à frente do portão principal da nova sede, recebe das crianças a chave que introduz na fechadura da porta central, com a serenidade e a determinação de quem sente o dever cumprido. Então, profere as seguintes palavras: "Em nome de Luiz de Mattos e de Luiz Thomaz abrem-se as portas de sua casa''. Dirige-se ao estrado lindamente ornamentado e passa a compor a mesa com diretores e pessoas gradas, inclusive altas autoridades, destacando-se o embaixador Francisco Negrão de Lima, prefeito da então capital da República, Mário Accioly de Almeida, procurador da República, Eduardo Espínola, ministro do Supremo Tribunal Federal, e seu filho desembargador Eduardo Espínola Filho, e o marechal Zenóbio da Costa. Em volta da mesa, os presidentes das casas racionalistas cristãs.
O recinto da nova sede estava literalmente repleto. Iniciam-se os discursos, finalizando-se a solenidade com as vibrantes palavras do caro Mestre Antonio Cottas, calorosamente aplaudido ao exaltar a grandiosidade dos espíritos dos dirigentes máximos do Racionalismo Cristão Luiz de Mattos e Luiz Thomaz, aos quais seu espírito veio a juntar-se mais tarde, nos elevados planos do Astral Superior. Hoje, essa tríade suprema vela pela eterna fulgurância do Racionalismo Cristão. (O autor é consultor jurídico da Casa-Chefe) |
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