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O momento de decidir
Faz a opção certa quem está realmente certo do que deseja
"O contentamento resultante de uma atividade útil é recurso para sufocar a saudade." Esta frase de Olga B. C. de Almeida, no livro Caminhos certos – meu companheiro de viagem –, foi o meu apoio numa semana em que passei por uma seleção fora da minha cidade. Esta frase encerra uma verdade incontestável e mostra a importância de estar envolvido com algo útil.
Não preciso nem falar sobre a importância do planejamento na vida nem sobre as vantagens de ter um objetivo a seguir. É esse foco que faz com que não nos desviemos do caminho. Nada pode nos impedir nem o fato de ficarmos longe de quem a gente ama. Essa autora tão querida define a vida como uma seqüência de irreparáveis adeuses. Nesta seleção a que me refiro, encontrei pessoas determinadas e outras vacilantes. Essas últimas questionavam: "Será mesmo que vale a pena deixar emprego e família?".
Com isso, não estou querendo dizer que esse tipo de dúvida não deva existir, aliás, em determinadas situações, é essa questão que permite à pessoa analisar se está dando realmente o passo certo. O que quero enfatizar é que é preciso estar certo do que se quer para enfrentar determinados obstáculos. Traçando uma meta, é certeza que todos irão "topar" com obstáculos. É uma decisão muito pessoal seguir em frente.
Escrevo isto pensando numa garota, já com 27 anos, que também participou da seleção. Ela nos contou que uma vez foi chamada por um dos maiores jornais de Porto Alegre para trabalhar na fronteira do Estado. A funcionária do jornal que telefonou para ela pediu uma decisão imediata. Ela disse que, como não soube de detalhes do processo, vacilou e não aceitou a proposta. Acredito que, se ela estivesse revestida da vontade de seguir a profissão de jornalista e assumir desafios, teria aceitado, mesmo sem a oportunidade de consultar fulano ou beltrano. Mas, como já disse, o modo como as pessoas escolhem seguir seus caminhos é uma decisão muito pessoal.
Nós, que estudamos o Racionalismo Cristão, sabemos que, para tomar as decisões certas, é necessário estar bem assistido. Por isso, ouvimos e lemos sempre que é preciso estudar as obras, refletir sobre elas, praticar os princípios, fazer as irradiações nas horas certas e estar com o pensamento sempre elevado. É difícil alcançar essa disciplina, pois todos na Terra estão sujeitos ao avassalamento. Para "escapar" dos espíritos do astral inferior, temos duas armas, que são a vontade e o pensamento. Além disso, toma as decisões corretas quem está certo do que quer e também do que não deseja para a vida.
A 'orelha' do livro Caminhos certos indica que a educação média deve orientar vocacionalmente o estudante dando-lhe, ao menos, uma idéia de sua futura atuação profissional, "de molde a dotar o jovem da noção de que, desde cedo, precisa ele preocupar-se com a profissão que irá exercer mais tarde." Não é demais, portanto, pedir de ninguém – a não ser das crianças – para traçar um rumo na vida. Para isso, esclareçam-se.
Tharsila Prates
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