Momentos de fúria

Heloisa Ferreira da Costa

A rotina atual exige que a mente esteja sempre atenta e em sintonia, parece que não há um instante em que se possa parar de pensar, a velocidade das informações e reações a que o ser humano está sujeito diariamente dá a sensação de que o tempo está voando, parece que descansar a mente é desperdício.

Tudo isso gera inconscientemente um estresse muito grande, e a falta de descanso mental vai deixando as pessoas irritadiças, com o "pavio curto", como se diz na gíria popular. Sem a noção das leis naturais e imutáveis, principalmente o desconhecimento de que existe na atmosfera uma quantidade enorme de espíritos desencarnados aguardando apenas o momento de se ligar, pela ação de pensamentos afins, pessoas aparentemente normais acabam transformando-se em verdadeiras bestas humanas e apresentam reações completamente adversas à sua natureza.

Palavras perdem-se ao vento, pensa o ser, mas não é bem assim. Quantas brigas no trânsito, quantas mortes repentinas acontecem por cinco minutos de descuido espiritual? A atração astral funciona de tal forma que o indivíduo vai irritando-se pouco a pouco, sofrendo com os problemas do cotidiano, dificuldades financeiras, excesso de trabalho, atritos familiares, e, assim, vai criando em torno de si um campo magnético de atração inferior, ligando-se a falanges malignas, sem a menor noção do perigo que está correndo. Suas idéias passam a ficar agressivas.

É assim que funciona a interferência espiritual, as emoções vão fugindo do controle e, quando menos se espera, ocorre a explosão.

Momento de fúria é o descontrole emocional, o rosto enrubesce, a boca fica seca, a voz se altera, a força triplica e a pessoa vê tudo escuro à frente. Quando se dá conta, já aconteceu o estrago. Gritos, palavras de baixo calão, agressões físicas... o indivíduo transforma-se num animal irracional. Aí, espíritos inferiores e atrasados regozijam-se com a situação e a atração fica ainda maior, como quando alguém acorre para assistir à desgraça alheia em brigas e acidentes; os grupos de desencarnados perdidos no mundo Terra têm a mesma curiosidade, mas querem também engrossar suas fileiras, ocasionando desencarnações prematuras.

Esses seres, eminentemente espirituais e invisíveis, passam a intuir todos que estão envolvidos na trama. Por vezes, até aqueles que apenas estavam passando pelo local e nem faziam parte de nada podem sofrer com o ambiente criado e vir a ter problemas mais tarde, se não mantiverem o pensamento e as atitudes policiadas e voltadas para o bem. Nada tem poder, além daquilo que se permite por meio de pensamentos conscientes.

Sabe-se, por esclarecimento da doutrina Racionalista Cristã, que a mediunidade intuitiva é inerente a todo ser humano, mas, em alguns indivíduos, esse atributo espiritual é mais forte. Assim, aqueles que são médiuns de incorporação transformam-se e nem percebem.

É como a história do médico e o monstro: num instante um indivíduo calmo e educado transforma-se em um ser estúpido e agressivo, diz impropérios e pode chegar ao cúmulo de agredir pessoas queridas. Quando volta a si, espanta-se com o que foi capaz de fazer, mas aí é tarde, e nem sempre o mal pode ser reparado, gerando arrependimento, angústia, chegando o ser à obsessão irreversível, e tudo isso poderia ter sido evitado com esclarecimento da vida fora da matéria e a disciplina da limpeza psíquica.

"O que somos devemos aos pensamentos de ontem, que condicionaram nosso comportamento, e são os nossos atuais pensamentos que constroem nossa vida de amanhã. Nossa vida é a criação de nossa mente. Se um homem fala ou atua com a mente impura, o sofrimento o seguirá da mesma forma que a roda do carro segue o animal que o arrasta." (Buda)

Controle emocional é tudo na vida, inteligência emocional está acima dos níveis de intelectualidade – é isto que se aprende na 'universidade' Racionalismo Cristão.

Dizer que as Casas Racionalistas Cristãs são escolas é pouco. À medida que se aprofunda no estudo da espiritualidade, cada um vai graduando-se, mas não uma graduação qualquer, porque concluir um curso superior é muito pouco, se comparado com o esclarecimento que se consegue no Racionalismo Cristão. Essa escola não dá diploma, porque a conclusão do curso é o progresso astral, e quando o espírito deixar seu temporário instrumento corpóreo e apresentar-se às Forças Superiores terá a certeza de que cumpriu seu cronograma evolutivo. Em alguns casos, conclui o ciclo terreno e passa a trabalhar em plano espiritual apenas, reencontrando seus verdadeiros companheiros de jornada. Quanta felicidade não deve o espírito sentir!

"Pensar é o trabalho mais pesado que há, e talvez seja essa a razão para tão poucos se dedicarem a isso." (Henry Ford)

A autora é Militante da Filial Marília, SP 

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