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Mudanças (nem tantas) na Língua Portuguesa
Após quase 20 anos de discussões – começaram em 1990 – entrarão em vigor a 10 de janeiro de 2009 algumas mudanças no modo de escrever certas palavras. Trata-se de uma reforma ortográfica acertada pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) que valerá para todos os países que a compõem Brasil, Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Por que essa reforma? Afinal, as normas da Língua estão definidas em dois acordos: o de 1943, no Brasil, acrescido das alterações de 1971, e o de 1945, em Portugal, com as medidas de 1973, informa a Academia Brasileira de Letras. O objetivo de tanta discussão, que culminou com a assinatura do acordo, foi uniformizar a grafia de algumas palavras, ou seja, estabelecer que elas sejam escritas da mesma forma em todos os países de Língua Portuguesa. Pelos cálculos das pessoas envolvidas no acerto da CPLP, as mudanças devem atingir aproximadamente 0,5% das palavras adotadas no Brasil. Nos demais países, as alterações podem alcançar 1,6%. Isto significa que ao longo das discussões e para que se chegasse a acordo cada país cedeu um pouco. Nenhuma novidade: é assim que acontecem os acordos em qualquer área. Se não for dessa maneira não será acordo, será imposição. O Brasil será o primeiro país a implementar as regras oficialmente. As mudanças serão feitas de forma paulatina até o início de 2013. Nos quatro anos de transição serão aceitas as duas formas: a atual, que levamos anos para aprender, e a nova que, para os que já não crianças, ou seja, os que já se habituaram à forma atual, poderá custar outros tantos anos de aprendizado. Não é preciso, porém, ficar apavorado. Não vêm por aí bichos de sete cabeças. Nem de duas. As editoras cuidarão de utilizar as novidades em novas edições e nas reedições. Jornais e revistas deverão elaborar manuais a serem utilizados pelos repórteres e redatores. O novo acordo ortográfico vai alterar a acentuação gráfica de algumas palavras, extinguir o uso do trema e sistematizar a utilização do hífen. No início de setembro, o site FolhaOnline publicou as novas regras de acentuação retiradas do livro Escrevendo pela Nova Ortografia, feito pelo Instituto Houaiss em parceria com a Publifolha. (T.P.) Veja alguns exemplos METRÔ ou METRO (Isso mesmo: sem acento!) CARATÊ ou CARATÉ BEBÊ ou BEBÉ (Você leu direito, sim, nos dois exemplos: com acento circunflexo ou agudo, tanto faz.) Não levam mais acento circunflexo (^) as seguintes palavras: VOO ENJOO ABENÇOO CREEM DEEM (Estranho, não é? Mas é a regra.) Tire o acento agudo (´) das seguintes palavras: IDEIA ASSEMBLEIA BOLEIA JIBOIA HEROICO PARANOICO O trema (¨), que pouca gente usava, desaparecerá por completo. Vejam: Freqüente agora é frequente. (O computador acaba de grifar a palavra sem trema, mas ele não está atualizado.) |
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