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Não há tempo para lástimas nem choros
Aqueles que lêem sabem, através da história, o que fizeram os grandes homens, aquilo que eles disseram e as atitudes que tomaram.
O marquês de Pombal, no terremoto de Lisboa, respondeu ao rei, quando, desanimado, lhe fez uma pergunta: "Majestade, enterrem-se os mortos e cuide-se dos vivos". Nada mais lógico e racional do que essa resposta.
Os homens de ação assim fazem: tratam de resolver os problemas que se apresentam e os solucionam. Assim sendo, não há tempo para lástimas nem para choros, porque a criatura volta-se para o cumprimento do dever. Ajudando o próximo, então, levanta a cabeça e trata de agir.
No Racionalismo Cristão assim se procede e assim se aconselha que a criatura saiba o que fazer, saiba o que dizer, saiba, portanto, viver.
E é sempre o espírito a dominar, portanto. É sempre ele o batalhador incansável, aquele que deseja realmente tornar-se grande, através dos feitos e da consciência do dever a cumprir.
Como foi dito, a humanidade tem passado por diversos dramas. Hoje, a classe menos favorecida levanta a cabeça, veste-se melhor, trata o seu físico com eficiência, com noções de higiene, sabendo, portanto, encarar os fatos e a vida.
Não há razões para lástimas nem para choros. O que se tem a fazer é trabalhar, ser conscienciosos, lutadores, não fazendo mal a ninguém, nem desejando aos outros aquilo que não desejam para nós.
A Doutrina, através daquilo que aqui se diz, daquilo que aqui se explana e daquilo que aqui se escreve, anima as criaturas, para que elas tomem consciência do seu dever. E o homem errado de ontem pode ser amanhã valoroso, corajoso, batalhador, sabendo então onde pisa e para onde vai.
Os que gostam de se lastimar estão fazendo uma corrente negativa, porque através do pensamento se religam a tudo que é nefasto, que é mau, que é sujo, que é intolerável.
A Doutrina aconselha que se levante o ser espiritualmente, para encarar os fatos, encarar a realidade, para enfrentá-la com segurança e altivez.
As obras aí estão. Os livros – costuma-se dizer – são os melhores amigos do homem. Quando a criatura sabe ler, raciocinar e analisar, chega à conclusão de que nunca está só, porque a sua volta tem sempre alguém para ajudá-la a vencer as dificuldades. A questão é querer! A questão é que saiba religar-se, através do pensamento, àquilo que é honesto, àquilo que é bom.
Quando o desânimo se apresenta, a criatura, é claro, deixa de pensar bem, deixa de se tornar forte para se tornar fraca, e as lágrimas, nesse estado de espírito, de nada adiantam. As lástimas também não adiantam nada, porque, enquanto a criatura desanima e cruza os braços, outra passa à frente, porque deseja acertar.
E nós, a serviço da Doutrina, temos a dizer-vos que é preciso ter coragem – não a coragem física, não aquela coragem que é negativa, de atacar o próximo pelas costas. O que se tem a fazer é encarar a vida, resolver os problemas, analisá-los. E então, depois de tudo isso, o espírito reflete, por seus atos, a sua boa assistência.
Antonio Cottas
O Consolidador
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