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Nossos filhos são espíritos
Lília Rodrigues Paiva
A trajetória da partícula da Força Criadora, quando se desprende para fazer sua
evolução, vem milenarmente viajando, passo a passo, lentamente, por todos os reinos da
natureza, processando assim seu progresso, estagiando em cada parte dos reinos até
atingir completamente cada ciclo, fazendo sua transição do mineral para o vegetal,
sucessivamente para o animal, onde chega ao ápice e atinge a condição de hominal. Nessa
condição, essa partícula recebe um corpo, que a ciência denomina de Homo sapiens, ou
seja, o homem portador de corpo físico conforme explicam os compêndios da biologia e da
anatomia, ciências que estudam diretamente o corpo humano. E quando a partícula, de
posse desse corpo, denomina-se espírito, como força agindo e interagindo sobre ele,
usa-o como um carro para dar prosseguimento a sua evolução, pelas sucessivas idas e
vindas entre o Plano Astral e o Plano Físico, através das encarnações,
desencarnações e reencarnações, processo atinente ao espírito, para que possa
esmerilar-se, burilar-se, lapidar-se até atingir o seu brilho intenso, fazendo em cada
encarnação a meta que traçou em plano astral, até chegar o momento em que, concluída
essa etapa, ele retorna ao mundo de origem, confundindo-se novamente com o Todo.
O espírito que escolhe encarnar em um corpo feminino tem uma grande missão no planeta
Terra, que é a de conceber e receber os espíritos que vêm encarnar neste mundo. A
mulher tem todo um sistema reprodutor, totalmente perfeito dentro dos parâmetros da
dinâmica universal, composto do útero, ovários, trompas, canal endovaginal e outros
pequenos detalhes, como já dissemos, que podem ser estudados nos compêndios e
enciclopédias. Esse sistema é suficiente para gerar uma vida, seja através do método
normal ou através de técnicas oferecidas pelos grandes avanços da medicina
biogenética.
Na concepção de uma criança, dá-se a fusão das duas células reprodutoras, o
espermatozóide, que é a célula reprodutora masculina, e o óvulo, que é a célula
reprodutora feminina. No momento exato em que se dará esta fusão, como preliminar entre
os parceiros há um sentimento de esplêndida felicidade que se confunde com todo o
universo, que se denomina clímax, que não deve ser confundido com o prazer carnal, que
se denomina orgasmo e que muitos deturpam, banalizando-o ainda mais quando o levam para o
lado da imoralidade e dos prazeres e gozos terrenos, Assim agem os que vivem obcecados por
esse sentimento, obsessão que chega à tara, um processo perturbativo.
Mas quando nos voltamos para o lado do amor, desse sublime e nobre sentimento,
conseguimos claramente distingui-lo do outro: enquanto o orgasmo está apenas no âmbito
terreno, o clímax se estende pelo Universo, pois nesse exato momento todo este belíssimo
Universo do qual fazemos parte conspira em total e harmônica felicidade, em prol daquele
espírito que acaba de ter a grande oportunidade de encarnar neste planeta Terra, neste
planeta-escola. A esta altura, o espírito já escolheu o seu país, seu estado, seu
município e principalmente os pais: ele terá um lar que será sua primeira oficina, onde
dará os seus primeiros passos rumo à evolução.
Quando já estão fundidas as duas células dentro do útero materno, começa a
formação do feto. Então o espírito passa a acompanhar aquela que será a sua futura
mãe, ligando seus cordões fluídicos ao coração e ao cérebro do feto, principalmente
durante os três primeiros meses, sendo totalmente assídua a sua presença no
acompanhamento da gestação do seu corpo, que dura aproximadamente nove meses. E quando
é chegada a hora, quando ocorrem os primeiros sinais do parto, a mulher entra no devido
preparo para receber aquele tão adorado filho que ela trará ao raiar do dia, à luz do
sol - é por isto que se diz "dar à luz". É Luz espiritual, do espírito que
está encarnando, confundindo-se com a luz do mundo em que ele viverá para fazer sua
evolução. Quando é retirado do útero da mãe, seja pelo parto normal, seja pela
cesariana, o espírito se justapõe do lado esquerdo do bebê e, um a um, vai ligando seus
milhares de cordões fluídicos a cada órgão, a cada parte daquele corpinho. Então se
dá o choro de ambas as partes, dos pais, pela felicidade de estarem recebendo um filho
que constituirá a prole, e da criança, que chora pela dor do espírito que mais uma vez
está preso aos grilhões da matéria e carregara mais uma vez o fardo pesado de um corpo,
único meio de fazer mais rápida a sua evolução.
Daí advém a grande responsabilidade dos pais que irão conduzir a sua prole perante a
trajetória terrena, pois, quando ocorre o nascimento de mais de uma criança, devem estar
preparados, pois esses espíritos vêm de mundos de várias categorias, cada um trazendo
suas bagagens positiva e negativa, para aqui resgatar as negativas, contraindo créditos
positivos para o bom desenvolvimento espiritual, no qual estará vivenciando paralelamente
ambas as vidas, material e espiritual, para o seu próprio progresso e engrandecimento.
É por isto que precisam encontrar pais devidamente preparados, esclarecidos, para que
tenham o devido discernimento para analisar a índole de cada filho, pois o amor e carinho
deverão ser iguais para todos, mas a educação irá divergir de um para o outro. Aquele
que for mais ameno, sutil, sem apresentar rebeldias e outros atributos negativos, deverá
ser encaminhado de forma também mais sutil, embora com disciplina, método e ordem.
Porém os que apresentarem as suas rebeldias, as suas más tendências e outras coisas
mais, estes, sim, devem ser levados com pulso de ferro, apontando-se a eles, sempre
batendo na mesma tecla, o caminho do trabalho, do estudo, da grandeza de valores que as
criaturas devem ter para viverem com dignidade, de modo que, no futuro, possam ser grandes
cidadãos, aptos a servirem a Pátria que escolheram como berço, como também no auxílio
da humanidade.
Inteligência todos os espíritos têm, porque é um atributo a eles inerente, mas é
preciso mostrar-lhes como usar essa inteligência sempre para o Bem, com os demais
atributos, como raciocínio, livre-arbítrio e força de vontade, para norteá-los nas
veredas da evolução humana.
Por isto, é necessário que alertemos os pais que os nossos filhos são espíritos, que
se predispõem a vir encarnar, nos escolhendo como genitores, apostando tudo na
encarnação traçada em mundo astral, certos de que, quando aqui chegarem, ainda que mais
uma vez presos aos grilhões da matéria, terão um porto seguro e um leme conduzido por
mãos fortes que jamais deixarão que o rumo de suas vidas se avarie como de barcos
perdidos em alto mar, mas certos de que poderão confiar naquelas mãos que o conduzirão
por todo o seu viver terreno, que é efêmero, passageiro, mas é o tempo limite para
fazer em cada encarnação a sua trajetória evolutiva com grande glória dentro dos
princípios de justiça e amor, onde pais e filhos devem, acima de tudo, também se
reconhecerem como irmãos em essência.
E quando toda esta peregrinação termina neste planeta, o espírito, devidamente
esclarecido, preparado, desencarna, através do fenômeno da desencarnação, que, quando
está para chegar, podemos observar a vida humana passando através dos olhos físicos,
que são o espelho da alma. E, pouco a pouco, vão se desligando os cordões fluídicos,
até chegar aos principais, que são o do coração, que se rompem, provocando o choque
cardiogênico por insuficiência do miocárdio, e por último o desligamento do cordão
fluídico ligado ao cérebro, dando assim por concluída a morte cerebral (a medicina
oficial só confirma o óbito, quando ela se concretiza). Então, o espírito está
novamente livre da matéria, e como é luz ao seu mundo retorna, deixando o corpo, que é
matéria e na Terra fica. Nesse translado o espírito vislumbra os momentos de intensa luz
para a qual retornará, consciente do trabalho aqui cumprido, deixando aos vindouros o seu
rastro de luz.
A autora é presidente da Filial Belo Horizonte, MG
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