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O álcool
Maria Cottas O Álcool é veneno lento que deforma e mata. Dirão, todavia, os rapazes inexperientes, ou os homens fracos de espírito: “O álcool alegra-nos a vida, faz-nos esquecer as mágoas, abafa-nos os desgostos etc. etc.” Infelicidade!... Esse torpor em que ficais após a absorção de copos e copos de bebidas alcoólicas, que vos tornam ridículos, selvagens, o terror da família ou o alvo da hilaridade dos maus amigos, nada mais é do que um veneno para o vosso corpo, uma alucinação para as vossas almas, que, presas de um grande avassalamento, acabarão totalmente loucas, se não acabardes antes de uma ponta de uma faca, varado pelas balas de um revólver ou vítimas de acidentes. Quanta desgraça não traz o álcool!... O homem que vive nos bares, tabernas, e cabarés a beber é um inútil, um ser prejudicial, porque fica desvairado pelo vício; sua casa e sua família são os bares, os botequins, as tendinhas, as tascas, enfim, todo lugar onde sinta o delírio do vinho, da aguardente, da cerveja, do chope, etc. A bebida alcoólica não mata a sede, ao contrário, excita-a. Nenhuma bebida suplanta a nossa água potável. Porventura, depois de passar uma noite a beber, a intoxicar-se, estará algum homem em condições de bem cumprir os seus deveres, de produzir alguma coisa de bom no dia seguinte? É lógico que não! O álcool perturba o espírito e danifica o organismo. O alcoólatra não inspira confiança. Termina os seus dias no hospital, no presídio, ou no suicídio. Muitos rapazes inexperientes são levados por maus companheiros para beberem a saúde deste ou aquele, em festas de aniversário, e outras, aos clubes e cabarés, a que se acostumam e tomam gosto, e assim pouco a pouco se vão viciando ao cheiro e sabor do álcool, que mais tarde se tornará para eles uma necessidade, porém, venenosa e perigosa. O álcool tem o poder de transformar o homem bom e educado em verdadeiro monstro. Quantos homens arruínam os seus negócios, desmoronam os seus lares, enxovalhando a família, prejudicando os filhos, depois que se deixam vencer pelo vício da bebida alcoólica! Meus amigos, procurai ser sadios de alma e corpo, fugi dos beberrões, sede sóbrios e comedidos em todos os vossos atos. Não crieis dificuldades à vossa vida com absurdas necessidades, porque, então, sereis eternos escravos do vício. (Do livro Contos morais) |
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