O casamento da vassoura

Marlene B. Cerviglieri

Ali, guardadinha, estava a vassoura num cantinho do armário. Às vezes, a tiravam e dançavam muito pela casa ou quintal, ficando até tonta de tanto ir pra lá e pra cá. Mas, depois, ficava no cantinho até tristonha mesmo. Um dia, porém, ouviu uma vozinha que a chamava:

– Dona Vassoura, oh dona vassoura, está me ouvindo? Sou eu, a dona Pazinha, aqui do outro lado.

– Sim, estou ouvindo – disse a Vassoura, até meio assustada.

– Tenho um recado para a senhora.

– De quem?

– É do senhor Rodo. Ele mandou lhe dizer que gostaria de casar com a senhora!

O que devo responder a ele?

– Ora – disse a Vassoura, pega de surpresa – Eu, casar com o senhor Rodo?

– É, sim. Pense e depois me dê a resposta, é só me chamar.

Dona Vassoura ficou inquieta, pensou, pensou...

– Sozinha aqui pelo menos vou ter um companheiro, nada tenho a perder, até que ele é bem simpático pois já o vi algumas vezes brincando na água.

Mais tarde, à noitinha, dona Vassoura chamou dona Pazinha e disse-lhe:

– Bem, diga a ele que aceito, mas como vamos fazer?

– Não se preocupe. Nós vamos arranjar tudo para o casamento.

E assim foi. Fizeram, primeiro, a lista dos padrinhos e convidados.

– Ouça, dona Vassoura, os padrinhos de seu casamento serão o senhor Balde e eu. As daminhas serão as Flanelinhas, que estão todas felizes pelo evento.

– O senhor Papel Higiênico ficou de enfeitá-la e fará uma grinalda bem linda, ele prometeu.

– O ambiente será todo perfumado, pois os senhores Desinfetantes se incumbirão de fazê-lo. No mais, todos os outros moradores deste armário vão contribuir. Os senhores Panos de Chão, os Tapetes, até o senhor Desentupidor irá colaborar.

– Pelo jeito, já está tudo combinado, não é mesmo, dona Pazinha?

– É, sim. Vamos marcar para a próxima noite, certo?

– Sim, combinado.

A noite veio, e o casamento foi realizado com muita simplicidade. Dona Vassoura toda enfeitada. O noivo, senhor Rodo, com a ajuda do senhor Pano de Chão, estava muito bem enrolado, muito elegante.

Os convidados estavam felizes, e a festa foi até a madrugada.

No dia seguinte, quando foi aberto o armário, estava tudo diferente!

– O que aconteceu aqui? Pensou a dona da casa...

A vassoura toda enfeitada de papel higiênico, o rodo fora do lugar...

Fechou a porta do armário e esqueceu o assunto, mas que era estranho era...

Lá dentro, os convidados começavam a acordar da festa da véspera, ou seja, do casamento da dona Vassoura...

(A autora é  Escritora, poetisa, educadora)

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